O Pe. Albino Luciani mais conhecido como Papa João Paulo I, ou ainda, como Papa Sorriso, teve seu papado interrompido 33 dias após sua eleição. Até hoje a sua morte não foi bem explicada.
Frederico Antônio Kluser Eghel viajou até Roma onde entrevistou, na semana passada, uma sobrinha da freira que cuidava do Papa e que após a sua morte fez voto de silêncio. Mantendo o critério das entrevistas aqui publicadas passaremos a chamar a entrevistada de Beatrice.
Frederico Antônio Kluser Eghel (F.A.K.E.) – Olá Beatrice, boa tarde. Me ligaram sexta passada falando que tinhas algo revelador sobre a morte do Papa João Paulo I que tua tia havia revelado a ti. Mas ela não havia feito voto de silêncio?
Beatrice – Boa tarde, Frederico. Sim, é verdade. Mas no seu leito de morte ela me contou o que ocorrera no dia anterior à morte do Papa e pediu para que eu revelasse somente a ti, pois ela sempre gostou das histórias que escrevias quando estavas aqui na Itália.
F.A.K.E. – Já fico feliz com este voto de confiança. Mas o que ela confidenciou? Afinal, alguns dizem que ele foi assassinado para não revelar escândalos do Vaticano, outros de que foi envenenamento por uma trama de outros cardeais.
Beatrice – É verdade que o Papa João Paulo I andava com sua saúde bem debilitada, especialmente, pela rotina estressante que ele tinha no Vaticano. Mas desde o início do seu papado ele passou a causar, digamos assim, problemas para alguns cardeais.
F.A.K.E. – Como assim?
Beatrice – Ora, ele recusou uma coroação formal. A sua humildade não permitiu que aceitasse ser carregado como foram os outros papas.
F.A.K.E. – Mas é verdade que não houve uma necropsia, pelo menos não divulgada, e seu corpo foi logo embalsamado, sem que as verdadeiras causas de sua morte fossem reveladas ao público
Beatrice – Por isso, pedi para te chamar Frederico.
F.A.K.E. – Então me conte, Beatrice, o que tua tia lhe revelou?
Beatrice – Na tarde anterior à sua morte, o Papa chamou em seu gabinete um de seus secretários o Pe. Diego Lorenzi e o Bispo que era responsável pelo Banco do Vaticano. Ficaram horas conversando. Pois, parece que o Papa suspeitava de algumas irregularidades financeiras.
F.A.K.E. – E o que mais ocorreu?
Beatrice – Depois que o Papa os dispensou. Ambos, foram em outro gabinete onde se encontraram com alguns Cardeais que eram contrários à postura humilde e revolucionária do Papa e mais três homens leigos, que minha tia não conhecia e nunca havia visto no Vaticano.
F.A.K.E. – E como sua tia soube disso?
Beatrice – Digamos que até no Vaticano as paredes tem ouvidos. E ela me disse que pode ouvir o Bispo afirmando que o Papa lhe tiraria do controle do Banco do Vaticano e que isso poderia representar problemas para aquelas pessoas presentes naquele gabinete.
F.A.K.E. – Então eles mataram o Papa?
Beatrice – Infelizmente, não há como saber. Mas o que ainda tenho para te contar é que naquela noite, o Cardeal Camerlengo, Villot, procurou minha tia, quando esta preparava o chá do Papa. Disse-lhe que ela deveria sair do Vaticano e se enclausurar no convento sob o voto de silêncio. Tomou-lhe a xícara com o chá e entregou para que um dos secretários do Papa levasse até João Paulo I.
F.A.K.E. – E durante a madrugada João Paulo I morreu.
Beatrice – Isso mesmo, e segundo o Vaticano, um fulminante enfarte do miocárdio.
F.A.K.E. – Quem sabe em algum dia, ainda, saberemos da verdade. Obrigado Beatrice.
Beatrice – É verdade. Eu que agradeço em te falar isso tudo, pois foi o último pedido de minha tia.
Esta é uma entrevista de ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.





















