Arquivo para ‘Contos’

06/03/2012

A independência em jogo!

Antes de propriamente contar o “causo” que ocorreu ontem, gostaria de deixar registrado que o Governo Federal conseguiu, infelizmente, modificar o único jogo que de certa forma era o mais justo e igualitário (Se é que é possível haver igualdade e justiça em jogos de azar).

Afinal, antes jogar na Lotofácil permitia possibilidade de acerto igual para cada aposta. Quem tinha mais recursos poderia apostar mais jogos, outros apostavam menos, um joguinho que seja, apenas. Mas, cada aposta concorria em igualdade de condições com todas as outras. Agora não mais. Há aposta com mais números. Se havia algum senso de justiça neste jogo, o Governo Federal findou com ele!

Mas vamos ao caso ocorrido na data de ontem:

Lá estava eu na fila da lotérica para fazer uma “fézinha”, quando acompanho o diálogo de uma cliente apostadora com a operadora de caixa:

_ Vai ter a Lotofácil da Independência, não é?

_ Sim, vai sim. – respondeu a operadora.

_ É dia primeiro de abril, né?

Opa!!!! Espera aí? Primeiro de abril dia da Independência? Tudo bem que nossa “independência” pode ser fruto de uma mentira, ou ainda, que sermos independente seja tudo uma mentira. Mas transferir para o dia primeiro de abril, não dá, né!? Mas o diálogo continuou, com a operadora de caixa questionando o seu colega de serviço ao lado:

_ Quando vai ser o sorteio da Independência, da Lotofácil?

Ele que já estava atento à conversa respondeu taxativamente:

_ Não é dia primeiro, é dia 22!

Bem, pelo menos dia 22 de abril se comemora o dia do descobrimento do Brasil …

Ah, para quem não sabe a Independência do Brasil é comemorada no dia 07 de setembro!

22/02/2012

O político e a porta giratória

Vou contar para vocês um causo que presenciei agora a pouco.

Eu estava entrando numa agência bancária quando na minha frente ao passar pela porta giratória e detectora de metais encontrava-se um certo político.

Ele que outrora foi acusado e investigado sobre desvio de verbas públicas. E como nossa imprensa nos ajuda a perder a memória, nem sei ao certo se ele foi ou não condenado. Mas isso nem vem ao caso neste momento.

Ocorre que este político havia deixado o celular na caixa coletora e nada da porta lhe deixar passar. Então ele retirou as chaves do bolso e também colocou na caixa. E nada da porta permitir sua entrada. Fez um sorriso de quem não estava entendendo e disse: “Ah, deve ser o relógio!” O colocou na caixa e então a porta permitiu sua entrada na agência.

Fiquei a pensar com os meus botões: “Será que essas portas estão detectando algo além de metais?”

11/01/2012

Sonhos …

Hoje logo que acordei um pensamento me ocorreu:

Quantos sonhos mantemos em cativeiro na expectativa de um resgate?

Mas o que eu estava querendo pensar? Qual era o meu sonho? Com o que sonho? Refleti mais um pouco e me indaguei acerca da razão de deixarmos amordaçados e sufocados nossos sonhos…

Sonhos mantidos presos na esperança, muitas vezes vã, de um dia realizá-los. Mas quais as ações efetivas são realizadas para a concretização dos sonhos? Ah, mas as responsabilidades: trabalho, filho, família, contas a pagar … E daí os sonhos ficam acuados, esquecidos, esperando o momento do resgate!

Logo, outro pensamento martelou em minha mente:

Quantos sonhos diariamente matamos ou simplesmente abortamos?

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07/01/2012

Delírios Catarinenses

Mais um dia de primavera do ano de mil novecentos e noventa e seis. Aqui estou, sentado numa cadeira, de uma sala de aula, tentando adquirir alguns conhecimentos.

Terça-feira, aula de Literatura Catarinense. Grande discussão: a disciplina é Literatura Catarinense ou Literatura de Santa Catarina? Enorme discussão: existe Literatura Catarinense?

Neste belo dia de sol, que só Deus sabe até quando não vem a chuva, uma excelente aula da professora Maria Luiza, aula de apresentação de livros de autores catarinenses e o Alexandre já está uma hora falando de Luís Delfino dos Santos, aquele que nasceu no ano de 1834, e que não publicou nenhum livro. Deixou sua obra para que seu filho publicasse. Consta até que sua obra é de cerca de 3000 sonetos, mas somente 1000 foram publicados em livros. Além destes ainda tinha vários poemas longos que variavam de 20 a 2120 versos. Obra marcada pela influência da formação clássica e humanista, terminando a sua carreira pelos caminhos da poesia lírica.

03/01/2012

Releitura – A saga do goleiro invicto

A saga do goleiro invicto (postado em 30/07/2010)

Durante o último verão recebi amigos em minha casa. Alguns, inclusive, vieram do interior. Sabe como é: casa no litoral = visitas no verão. Pelo menos, essas visitas rendem boas histórias.

Um desses meus amigos contou-me que ano passado conheceu aquele que se diz o único goleiro no mundo que jamais sofreu gol. Impossível!?

Disse-me ele que este improvável ser vive no anonimato, no interior de Santa Catarina. E que sua história só foi revelada porque ele, professor de educação física, perguntou aos seus alunos de dez anos quem tinha pai ou mãe que praticavam esportes.

Foi quando o seu aluno, José Gustavo, lhe disse que seu pai havia sido goleiro. Então, esse meu amigo pediu ao seu aluno que seu pai fosse até a escola contar como foi a experiência de um desportista e o bem que o esporte faz a saúde.

Desde então descobriu a história daquele que talvez seja o único goleiro do mundo que nunca tomou um gol sequer. Vou abrir aspas, para não assumir a responsabilidade por este relato:

08/08/2011

“Microcontos” no Twitter (07)

Vamos a mais alguns dos pensamentos que eu escrevi lá no twitter:

15/07 - A tela está em branco como o papel. E o dedo deve fazer o papel da caneta. Mas o que escrever se os pensamentos não se encadeiam?

19/07 - Só lembranças, só lambanças. Balança o tempo, até onde a memória alcança. Queria as futuras andanças, que sonha com esperança.

08/07/2011

“Microcontos” no Twitter (06)

Outros pensamentos escritos no twitter:

04/06 – Estava desempregado. Lembrava com pesar do tempo que servia cafezinho na presidência. Então veio a ideia: “prestarei consultoria”.
22/06 – Nada de novo. Mas como tudo é uma constante transformação, surpreendia-se com a capacidadade do novo ter se transformado no velho.
28/06 – Rabiscou em seu alfarrábio: inverno e inferno … como pode uma única letra alterar tanto a temperatura!?
02/07 – As manhãs de #Floripa estão tão manhosas que de tão dengosas não cessam de chorar…
02/07 – Pela manhã faz manha. Não por ser manhosa, mas pelo prazer à arte. A artimanha!

04/07/2011

“Microcontos” no Twitter (05)

Mais alguns pensamentos:

02/05 – Enquanto caía… caía… e caía, chegou a pensar: “onde é o fundo do meu poço?”
13/05 – Os pensamentos iam e vinham. Por isso de nada lembrava. Pois não ficavam. Pensa apenas de querer fincar lembranças.
23/05 – Soltas ao vento h j k m a f e n i p r o s d t u l b v c em algum momento se unem para transformar o mundo!
23/05 – Após taças de vinho, poemas escreveu. Ao acordar leu poesias que pareciam ser de Bocage. Rasgou-as. Sua esposa, carola, não o perdoaria.
01/06 – Pensou: se “cracia” é governo um governo de burro seria a burrocracia! Mas terminou jogando um “r” fora e passou a enteder melhor.

02/07/2011

“Microcontos” no Twitter (04)

Segue alguns pensamentos escritos pelo twitter:

01/04 – Mentia 364 dias do ano. O único dia em que falava a verdade era o #diadamentira , mas ninguém acreditava nele.
03/04 – Corria, corria, corria. Eram pelo menos 10km todos os dias. E do mesmo lugar não saía, pois a esteira não o permitia …
03/04 – Era tão tímido q custou a ter conta no twitter. A ninguém ele seguia e nem era seguido, só que tuitava às 04h30, para ninguém o ler.
03/04 – Cerrou os olhos e pediu “Brasil mostra a tua cara?” Ao abrir os olhos preferiu ligar a TV e assim não precisar viver “além do jardim”.
19/04 – Há janelas! Muitas! Mas e a porta? Impossível lembrar da chegada. Saberá encontrar a saída? Estará pronto para sair? Desejará ir?

05/04/2011

“Microcontos” no Twitter (03)

Desde o dia 10 de fevereiro que eu não registro aqui alguns dos meus pensamentos que escrevo lá no twitter. então:

04/03 - Saiu na sexta de carnaval e só retorna ma quarta-feira. Ah, essa sobriedade!
29/03 - Quando a conheceu decidiu se declarar por carta. Quando a carta chegou era tarde demais, pois outro havia se declarado por e-mail.
29/03 - Não cometeria o mesmo erro. Em outra oportunidade se declarou por e-mail. Em vão. Pelo twitter havia sido de outro, a declaração.
29/03 - Na terceira situação um “tuíte” enviou. Tarde demais, pois foi por SMS que a declaração de outro chegou.

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11/03/2011

Ateliê – Alexandre Carlos Aguiar

E o Ateliê aqui do Alameda1976 faz a sua estréia no ano de 2011.

E o faz com a visita de Alexandre Carlos Aguiar que nos agracia com o conto a seguir:

O último dia do caçador

O dia do caçador geralmente começava bem cedinho e era uma promessa de emoções sempre novas. Naquele início da manhã chovia. E chovia muito. O velho Smilodon arrastava-se pela abertura da toca, em meio a algumas pequenas poças de água que iam se formando, até conseguir apoiar-se nas patas dianteiras, tentando diminuir o esforço na pata traseira esquerda. Já não doía tanto quanto há algumas semanas, mas ele ainda tinha dificuldades em apoiar-se nela. Percebeu que, de onde estava, uma pequena presa corria lépida pela planície.
Os dias sem comer algo substancioso elevavam cada vez mais a sua fome. O torpor característico pela falta de alimentos ameaçava sua visão e, cambaleante, ele levantava a cabeça na tentativa de farejar algo palatável. Os músculos já haviam perdido a robustez de outrora, restando apenas uma pele sem brilho e elástica a cobrir-lhe os ossos pontudos. À imponência do jovem do passado restava tão-somente um esqueleto ambulante, resistente ao fim que se aproximava, portando ainda, como salvaguarda dos tempos gloriosos, os proeminentes caninos já amarelados.
O último combate que travara com aquele jovem macho impusera uma queda espetacular pela ravina, premiando-o com uma fratura na parte superior do fêmur, que o deixou imóvel por dias no fundo do precipício, sedento e faminto.
Acompanhar os rastros do pequeno roedor, agora, no meio do capoeirão, através da planície larga e por entre as rochas era quase uma brincadeira, não exigindo uma arte elaborada. E era tudo o que podia fazer, uma vez que seu corpo não o ajudava mais. Os ombros e parte do lado esquerdo doíam muito e cada escapada para ir buscar comida era tida como uma tortura para o velho caçador. E essas escapadas eram, em sua maioria, frustrantes.
Certa vez, numa tarde ensolarada, quando descansava a cabeça por sobre as patas dianteiras, um pequeno lagarto passou vagarosamente próximo aos seus dentões, entretendo-se, em seguida, a farejar aquele animal enorme, velho e cansado, adormecido às portas de sua toca. O Smilodon, surpreendido com a ousadia daquele bicho, tentou abatê-lo com uma de suas fortes patadas, mas teve que desistir tão logo iniciara o movimento, pois o flanco esquerdo mais uma vez acusava a dor. Estas lembranças sempre o atormentavam.
Mantinha, naquele instante fugaz, o rosto enfiado no capim, o focinho quase colado à terra, o olhar atento preso ao solo. Parecia olhar para o nada. Engano. Ele observava cada detalhe da vida do pequenino roedor, sua respiração, sua pulsação, seu piscar de olhos. Fazia uma hora, ou mais, que persistia assim, tenso. Quase não se movia agora. E não deveria. Um sopro mais forte da respiração poderia afastar o objeto de sua contemplação. Então ele parou por completo, imobilizando-se, pacientemente. Ainda não perdera o instinto de caçador oportunista e vigilante, mesmo que o corpo já não o ajudasse.
A chuva, contudo, incomodava. Os pingos gelados penetravam em sua pelagem e entravam em contato com a pele que, inadvertidamente começava a tremer para afastar o frio. Ele precisava ser rápido, antes que o próprio corpo denunciasse o sofrimento.
Ao longe, o cheiro das fêmeas impregnou suas narinas com o delicioso perfume do amor, pois, àquela época do ano, algumas já estavam entrando no cio. As disputas acaloradas que travara por seu território ficaram num passado distante. E esquecido por aqueles que outrora o veneravam como o macho mais imponente daquele bando. Por verões a fio dominou os destinos do pequeno grupo de dentes-de-sabre ao sul do rio. O auge de seu reinado foi quando impuseram uma caçada vigorosa e elaborada a uma enorme preguiça, talvez das mais ferozes que o grupo havia encontrado. Depois de ela haver esfolado e trucidado uma das fêmeas incautas, as outras, numa arriscada estratégia encurralaram a grande preguiça num dos cantos próximo à ravina. Não querendo cair no precipício, ela partiu para cima de suas caçadoras com toda a fúria, mas foi uma tentativa desesperada, pois todas as fêmeas, em conjunto, pularam sobre seu dorso e a imobilizaram. Nesse instante, o grande macho Smilodon, vagarosamente, como se num ritual pré-determinado, aproximou-se do corpo do animal, que arfava e resfolegava, encostou a boca no pescoço da preguiça e cravou seus caninos num golpe certeiro e fatal, dilacerando os grandes vasos sangüíneos que irrigavam aquela região do corpo da presa. Todas as fêmeas e alguns pequenos machos e filhotes aguardavam os estertores finais de morte da grande preguiça e, assim, iniciarem seu banquete.
Contudo, algo não estava indo como seria o esperado. Ele, o grande macho, continuou preso ao pescoço da preguiça e foi, lentamente, arrastando o monte de carne, que ainda se debatia, para dentro de sua toca. As companheiras, inconformadas, começaram a rugir e vociferar ameaças, indignadas que estavam com a atitude do grande macho, que passou alguns dias a se banquetear com aquela iguaria.
Enquanto os cheiros delatavam coisas do passado ao caçador, a pequena caça mantinha-se impassível captando pequenas sementes espalhadas pelo chão. Mal sabia que às suas costas o espreitava um grande animal, pronto a lhe abater e consumir como repasto naquela manhã chuvosa e fria. Seria a primeira refeição nutritiva que o predador faria após muitas semanas em quase jejum. E ele estava ansioso.
Naquele momento, o único barulho que se ouvia era o de gotas de chuva caindo no chão duro, ou por sobre a relva rasteira. Ou ainda, ao fundo, havia o marulhar de pequenos regatos que despencavam pela ravina abaixo. E nada mais. O grande Smilodon permaneceu estático, sem esboçar qualquer reação. Nem mesmo as frias gotas de chuva o incomodavam agora. Pelo menos, ele fazia esforço para isso.
Por seu turno, o pequeno roedor também se acomodou no local onde estava, roendo pacientemente os grãos que levava à boca. A concentração de ambos em suas atividades era total e o momento do golpe certeiro era iminente para o caçador. Ele suspendeu a respiração, apertou os olhos ante a dor que ameaçava chegar, levantou a pata dianteira e…
Foi então que ouviu outro som. Um som familiar, muito conhecido em sua vida, que ressoou pelo lugar. Rapidamente o roedor ergueu assustado a cabecinha, largou suas sementes e saiu em disparada, perdendo-se na relva da planície. O caçador soltou um rugido forte, feroz, como se toda a sua força, todas as suas esperanças em fazer uma refeição, a concentração despendida e a decepção pela perda fossem canalizadas para a sua garganta. Ao olhar para trás viu três pequenos filhotes que haviam se desgarrado do bando e começavam a importunar o velho e solitário caçador. Um deles chegou a pular em suas costas e passou a mordiscar sua musculatura magra, para depois morder e lamber sua orelha, como se aquilo fosse um brinquedo diferente.
Se a situação ocorresse em outros tempos, o velho Smilodon teria dado uma de suas possantes patadas nos fedelhos, despachando-os para bem longe dali. Mas também, nos velhos tempos não estaria caçando pequenos roedores àquela hora da manhã.
Agora era o fim! O velho caçador atravessou o comprido caminho, de dor e humilhação, desde a planície até a entrada de sua toca. Olhou os pedaços de ossos que jaziam inertes no fundo da gruta e estremeceu. Eram resquícios dos faustos banquetes que tivera e que agora pouca nutrição ofereciam. Não podiam dar o que ele precisava. Serviam apenas para roçar entre os dentes e enganar as dores da fome e da solidão. E a solidão pesava fundo.
Ele caminhou devagar, como que medindo os passos até o interior da gruta, suportando uma dor já companheira, embora cruel. Entrava agora em agonia. Tinha a sensação estranha de que não era mais importante, para o bando e para ele mesmo. Ficou assim, parado, por longas horas, com o coração acelerado e a respiração ofegante. Passo a passo o torpor da fome fazia com que sua visão fosse se tornando embaçada. Seu corpo foi ficando pesado, não obstante estive magro demais. Agora era só uma questão de tempo. E fazia tempo que estava com a vida assim, por um fio, naquela planície desolada ao sul do rio.

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Sobre o autor:

O Alexandre é natural de Florianópolis, um legítimo manezinho da ilha e avaiano “desde que Cabral começou a andar“, como ele afirma em seu blog. Inclusive é lá que ele tece as suas críticas sobre o time da ilha. Quer conferir? Passa lá no Força Azurra!

27/09/2010

A Verdade, segundo Fernando Pessoa

“Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Não era que um via uma coisa e outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro de um outro lado diferente. Não: cada um via as coisas exatamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.”

(Fernando Pessoa)

Com as eleições ocorrendo no próximo final de semana é importante ficarmos atentos para “as verdades” que surgem e votar com consciência, sem influência de presidente, políticos, atores e amigos! Vote em quem você acredite que possa ajudar a tornar nosso país um lugar melhor para se viver. Até por que sozinho nenhum presidente resolve!

Mas quem disse que essa deve ser a verdade?

23/08/2010

Uma homenagem a Saramago

O texto que apresento a seguir escrevi em dezembro de 2005. E aproveito para publicá-lo em homenagem a José Saramago.

UMA CRÔNICA PÓS-MODERNA DA HISTÓRIA DO CERCO DE SARAMAGO EM LISBOA

E todos foram felizes para sempre …

Mogueime e Ouroama, o Raimundo e Maria Sara, Saramago e Pilar, Raimundo e a História ou seria e a Realidade? Mas seria Raimundo ou Saramago?

É confusa a modernidade, pois imagina a plus-modernidade, Não seria a pós modernidade que você está querendo dizer, Eu não falei nada, quem falou foi o Bosi, Mas ouvi dizer que o mesmo Bosi falou em anti-modernidade, Se disse ou deixou de dizer, atualmente pouco importa, Sabe aquela história: “apertem o cinto o narrador sumiu!”, Não seria o piloto?, Tanto faz, em ambos os casos não há quem dirige, Quem pilota você quer dizer?, Quem pilota, quem dirige, quem narra … não sei, você está querendo me confundir. Tudo era muito fácil na época em que simplesmente se pintava a vida moderna, Como Baudelaire?, Pooe, Verlaine, tanto faz. Você não se contenta com nada não?, É minha função, Sua função que eu saiba é revisar, Reviso tudo, os livros, a história, a verdade …, A verdade?, Caro escritor, você muito mais do que eu deve saber que a verdade nada mais é do que um ponto de vista, tudo dependendo de um sim ou de um não, Não sei não, se levar em consideração a tal história de plus-modernidade …, Vocês escritores tem uma certa mania estranha de questionar todos os conceitos, Não fui eu quem falei até agora em verdades e realidades, Eu em nenhum momento toquei no assunto realidade, afinal o que é real?, O que não é falso, fictício, Então será que existe realidade?, Por que esta pergunta arraigada de ironia?, Porque não acredito em nenhum ser capaz de ser efetivamente sincero vinte e quatro horas por dia, Você está muito descrente hoje, Benvindo, Descrente ou realista?, Pouco importa revisor, Mas o quê importa afinal?, Nada!, Como nada?, Ou come alguma coisa!, Não entendi!, Foi uma piadinha sem graça, caro revisor, o quê eu quis dizer foi que você precisa se organizar, observar seus sintomas, suas paranóias e selecionar um novo projeto de vida, Desculpe, mas ouso discordar, é minha função revisar suas palavras, e acredito que na verdade, não encontro sintomas, sou desejo, não possuo paranóias, quem sabe algumas esquizofrenias, e em relação ao projeto de vida, bem, tudo acontece tão ao acaso nessa Pós-modernidade, Pós, plus, anti, a modernidade não é nada sem nós, Mas …, Nada de mas, caro revisor, esta conversa está indo além dos limites de Lisboa. O sol vai embora e nada melhor que um copo de cerveja na mesa de um bar, observando a chegada da lua, Seja como for concordo, e isso tanto antes, como na modernidade, quanto depois ….

Gilberto Rateke Jr.

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