15/04/2012
A frondosa cachoeira
irrigou prados, vales e planaltos.
Não negou a nenhum incauto
os benefícios de seu banhar.
A frondosa cachoeira
não fez discriminação.
Sem distinguir seus apreciadores
a todos ofertou frutificação.
Porém, o homem é um ser estranho
e erigiu uma barragem.
Mas com a cachoeira represada
a deterioração foi iminente.
Então os incautos viraram tacanhos
e seus frutos, nocivos presentes.
(Gilberto Rateke Junior)
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23/03/2012
Como uma renda é tecida a cidade
Ilha-continente um liame de três frágeis linhas
Ah, se as rendeiras a cosessem
Talvez houvesse maior felicidade!
Tão lindas praias a rodeiam
Mas aquém mar o que há?
Preservam-se os monumentos?
Cuida-se de nossa gente?
Gente cá nascida ou até mesmo adotada
Por esta cidade rendada!
Que os bilros desobstruam as vias
assim como os olhos politiqueiros
E que a renda a ser costurada
seja a renda de uma bela morada.
Com segurança, saúde e educação
e que, também, em outubro
Florianópolis seja lembrada!
(Gilberto Rateke Jr)
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01/01/2012
O poema a seguir é de Constantino Cavafis, com a tradução de José Paulo Paes. Foi publicado aqui no blog em 05/08/2010.
Te convido para releitura deste poema no dia de hoje com o intuito de questionar: O que esperamos em 2012? Afinal, além de tantas situações e circunstâncias este é um ano eleitoral!
“À espera dos bárbaros
O que esperamos no agora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no Senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o Imperador se ergueu tão cedo
E de coroa solene se assentou
Em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso Imperador conta saudar
O chefe deles. Tem pronto para dar-lhes
Um pergaminho no qual estão escritos
Muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
Usam togas de púrpura bordadas,
E pulseiras com grandes ametistas
E anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos,
De ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
Tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
Derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje.
E aborrecem arengas, eloqüências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
E todos voltam para casa preocupados?
Por que é já noite, os bárbaros não vêm
E gente recém-chegada das fronteiras
Diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! Eles eram uma solução.”
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29/12/2011
Para mensagem de Ano Novo vou recorrer ao poema da poeta argentina Cristina de Fercey:
Ano-Novo
Voa, de entre mãos,
Esta vida que nos resta;
Como os anos nos escapam!
Com que pressa eles se vão
E sozinhos, diante do espelho,
Vemos o rosto de sempre,
Mas a alma está mais velha,
Cansada de tanto andar!
É que os dias escorrem
das mãos
Tão velozmente
Que talvez nem o sintamos
E corremos emparelhados;
Sem ver, que assim tão ligeiros,
Se nos vão indo os anos,
Entre apuros e aflições,
Sem podermos desfrutá-los.
Por isso, este Ano-novo
Mudaremos nosso ritmo.
Se as dificuldades nos oprimem,
As deixaremos para trás;
E andaremos pelas ruas
Com um eterno sorriso,
O sorriso da felicidade,
O sorriso da paz.
Brindemos por este ano!
Se foi ruim já vai tarde!
Pelo ano que se inicia
Brindaremos até a embriaguez.
Quem nos tira o que foi vivido?
Por isso, nada de lamentos!
Em frente com a vida!
Pois ela nos escapa…
(Cristina de Fercey, poeta argentina)
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13/06/2011
Se estivesse vivo o poeta português Fernando Pessoa completaria hoje 123 anos.
Já li muitas poesias de Pessoa e inclusive já escrevi aqui no blog um texto seu sobre a verdade.
Mas quero compartilhar aqui com vocês uma poesia de Fernando Pessoa que certa vez declamei num sarau organizado pelo curso de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC:
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)
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21/12/2010
A Juscélia retornou ao Ateliê do Alameda 1976 e nos agraciou com um poema sobre futebol:
Será Futebol?
Retraio no cabível senso polido.
Partido remoto da capacidade de desbravar.
Tolerância bravia da estupidez e força.
Ângulo de regras descabidas e brutais.
Enxergo poeira no anil da bandeira.
Incrédulo palmo da minha ignorância.
Jogo e vida
Perder e ganhar o verde troféu
Libertados pelo independente direito de lutar…
Sorte e azar do jogo.
Pó de arroz jogado em três cores,
Faz florir as laranjeiras.
Ano ganho…
Neutro poder de decisão
Embora as traves marquem um limite
É sempre um ponto a considerar
Amplo campo de concentração
Vida, luta e suor
Dupla partida
Camisa minha, cor dourada
Junção de cores, paixão de peso
Coração redondo, pronto para pulsar
Vibração certa
Jogo… futebol…
—-
- Já viu o outro texto da Juscélia publicado aqui no Ateliê? Clique aqui.
- Quer ler mais textos dela? Visite seu blog: PEDACINHOS
- Quer seguí-la no twitter: @jusceliasousa
—
Então, gostou? Comente aí e participe do Ateliê. Ano que vem retorno a publicar os textos e materiais dos amigos e leitores!
*Os textos publicados no Ateliê Alameda1976 são de responsabilidade de seus autores.
Enviado em Ateliê, Poesia |
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07/12/2010
Acordei poeta
do campo da imaginação
palavras colherei
para somente assim
descrever a emoção
das lágrimas que não chorei.
Gilberto Rateke Jr, em 07/12/2010
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24/11/2010
Tem dias que minha mente parece que vai explodir
Pensamentos e ideias se proliferam tanto
Que tenho vontade de fugir
Mas eles e elas me perseguem.
Então sento defronte ao computador
Mas quem diz que consigo organizá-los?
São rebeldes e me causam dor
não querem se expor para ninguém.
É tanta violência, tanto desmando
Como as coisas podem ser diferentes?
Por que fazem isso com o mundo?
Todas as respostas vão muito além …
Distante da simples compreensão
Afinal, nunca saberemos quem está por trás
Do sistema, desta organização
Mas meus pensamentos e ideias vagueiam
E assim vem e se vão
Respostas e hipóteses aos montes
Mas sem rumo, nem proteção
Martelam a todo instante: O que posso, a isso tudo, fazer em relação?
Escrito em 24/11/2010, por Gilberto Rateke Junior.
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14/11/2010
_ 
_ 
_ 
_ 
_ :~
_ hum?
_ :~
_ ah!
_ 
_ ?
_ :*
_ :*
_ :**:
_ fuiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
———–
Texto de minha autoria classificado na categoria Lero PQ Quero e publicado no livro II Habitasul revelação literária na feira. Florianópolis. Habitasul, 2003, pág. 82.
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21/10/2010
Luiz Cipriano visitou o Ateliê Alameda 1976 e nos presenteou com o Haicai abaixo:

Presa em sua teia
Pensa a viúva-negra:
Estar só, chateia.
O trem na curva desponta
(PARE OLHE ESCUTE)
Não siga em frente, sua tonta!
Paixão profunda ela busca
Amor de leve não queima
Só chamusca.
Divertir é o que sei e o que faço
Dentro de um circo ao contrário
Levo alegria ao palhaço.
Na cela escura desmaio
Um facho de luz me desperta
Na praça, as Loucas de Maio
—————
Sobre o autor:
Luiz Cipriano da Silva é natural de Juiz de Fora (MG) e radicado em Curitiba desde 1976. Formado em Engenharia Civil (UFJF) trabalha como Analista de Sistemas. É torcedor do Fluminense e vez ou outra escreve alguns textos.
Para seguí-lo no twitter @ciprianopr
———–
Então, gostou? Comente aí e faça que nem o Luiz Cipriano e participe do Ateliê.
*Os textos publicados no Ateliê Alameda1976 são de responsabilidade de seus autores.
Enviado em Ateliê, Poesia |
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12/10/2010
Tempo … quanto tempo faz da minha saudosa infância?
Eu podia jogar futebol na rua,
brincar de pega-pega e esconde-esconde.
Playmobil era meu brinquedo favorito
e pica-pau o desenho!
Saudades de minha infância …
Hoje se tem responsabilidades
que naquela época não se tinha.
Era só ver TV e brincar …
ah, e também estudar!
Saudades da minha infância …
Mas nem tanta saudade assim.
Hoje uma outra criança inunda de alegria meu ser.
Com ele brinco de esconde-esconde
e jogo futebol … no apartamento.
Também brincamos de playmobil e carrinhos
e me faz lembrar de minha infância com muito carinho!
Feliz dia das crianças e que Nossa Senhora nos proteja!
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14/09/2010
A mente, civilizadamente mente.
Mente, infelizmente, sabiamente.
Monstruosamente, mente a mente,
mente intuitivamente.
Grandiosamente é a mente,
e felizmente se ela não mente.
Mas, fluentemente, a mente mente.
Mente, indubitavelmente, sorridente.
Mente futilmente a mente.
Mente prazerosamente.
Mente horrivelmente.
Somente mente, a mente.
A mente humana mente,
simplesmente mente.
Mente abusivamente,
mente humanamente, que mente!
Gilberto Rateke Jr
* Poesia do autor deste blog, escrita em 1993 e publicada no livro: Reflexos de Outono. Vol. II, São Paulo: Edições AG, 1999, págs. 28 e 29.
Enviado em Eleições 2010, Poesia |
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15/08/2010
Com as eleições batendo às nossas portas, achei interessante transcrever a letra desssa música de Chico Buarque:
Homenagem Ao Malandro
“Eu fui fazer um samba em homenagem
à nata da malandragem, que conheço de outros carnavais.
Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.
Agora já não é normal, o que dá de malandro
regular profissional, malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;
malandro com contrato, com gravata e capital, que nunca se dá mal.
Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha, tem mulher e filho e tralha e tal.
Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe chacoalha, no trem da central.”
Vote consciente!
Enviado em Poesia, Sobrado |
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