Posts tagged ‘Armando Nogueira’

28/09/2011

Mesa quadrada 28/09/2011 – Debate Esportivo

O Evanylson andou tendo uns problemas pessoais e desde setembro do ano passado que ele não senta mais no quiosque do Alameda1976 para suas memoráveis partidas de dominó.

Hoje ele me procurou todo preocupado acreditando que as mazelas do Avaí são suas responsabilidade. Pois foi ele parar de jogar dominó que o Leão piorou de vez: ano passado quase caiu; não chegou às finais do campeonato catarinense; foi eliminado em casa na semi final da Copa do Brasil; e neste ano permanece por todo o campeonato brasileiro na zona do rebaixamento.

E como ele não sabe se conseguirá ficar para assistir o jogo de hoje da seleção brasileira contra a seleção argentina me pediu para sentar e abrir a sua caixa de dominó. E claro que o pedido foi prontamente atendido!

Puxou a cadeira da mesa que fica no canto direito do quiosque, mais próximo das árvores e sentou. E ao abrir a caixa de dominó logo apareceram Nelson Rodrigues, Armando Nogueira e Telê Santana.

Nelson Rodrigues (NR): Ué Evanylson, achei que iríamos acompanhar o joguinho de hoje à noite.
(todos riram)
Evanylson (EV): Não sei se vou poder ficar até mais tarde…
NR: Conheces o Telê?
EV: Claro. Foi uma pena não ter trazido o título de 82. Aí sim seria marcado como nosso melhor técnico. Mas não, agora temos que aturar Parreiras, Dungas e Manos …
Armando Nogueira (AN): Andas meio cabisbaixo, meu amigo! É esse teu Avaí que não toma jeito?
EV: Pois é Armando, pois é …

Telê Santana (TS) apenas cumprimentou Evanylson e ficou quieto observando, enquanto as duplas eram formadas e Nelson fez questão de ser parceiro do Evanylson. E foi iniciada a partida, quando então Telê falou:

TS: Sabe Evanylson eu tenho acompanhado recentemente os jogos do Avaí, principalmente depois que o Toninho Cecílio assumiu. Ele foi meu zagueiro sabias?
AN: No Palmeiras de 1990, não é isso?
TS: Isso Armando, minha passagem lá não foi muito boa. Mas conheci essa pessoa aguerrida, determinada e batalhadora que é o Toninho Cecílio. Ele tem potencial para ser um ótimo treinador.
NR: Mas consegue salvar o Avaí? O que tu farias no lugar dele, Telê?
TS: Salvar ou não o Avaí do rebaixamento será uma consequência do campeonato. O que o Toninho precisa é retomar a garra dos jogadores. A vontade deles de vencer. E se ele conseguir fazer isso melhorando a qualidade do time e tornando mais ofensivo conseguirá cair nas graças da torcida. E recuperará o brio do torcedor avaiano que está sofrendo ultimamente.
NR: Tornar o time mais ofensivo? Como assim Telê? Eles precisam é se defender. Possuem a defesa mais vazada do campeonato. Já tomaram 54 gols.
TS: Eis a beleza do futebol Nelson. Se todos esperam que tu se defenda, por que não os surpreende atacando-os. Além do mais o que o Avaí teria a perder hoje? Se fores fazer um levantamento o Avaí tomou 2,07 gols por partida e já foram 26 jogos. Em sete deles tomou mais de dois gols, em 13 tomou dois gols, em dois tomou um gol e em quatro não tomou gol.
NR: Mais uma razão para aperfeiçoar a defesa.
TS: Novamente irei discordar, Nelson. Nas partidas que o Avaí tomou menos de dois gols foram 2 vitórias, 3 empates e uma derrota, tendo somado 09 pontos. E sem considerar as empates ocorridos em partidas que tomou dois gols, as outras três vitórias, das cinco que o Avaí teve ele tomou dois gols e somou nove pontos. Ou seja o problema do Avaí é no ataque.
EV: Como assim?
TS: Simples Evanylson. O Avaí teve cinco vitórias e dessas apenas uma de um a zero, nas demais, o ataque do Avaí fez três gols. Ou seja, quando o Avaí fez três gols ele venceu os jogos, mesmo com a zaga tomando a média de dois gols por partida. E é por isso que eu no lugar do Toninho aperfeiçoaria a artilharia do Avaí.
AN: Interessante. Mas num time que contratou uma infinidade de volantes, como fazê-lo?
TS: Abdicando dos mesmos.
EV: É mesmo, eu li no blog Força Azurra, dias destes um texto de Euripides Ribeiro de Souza que falava do futebol sem os volante. Época boa essa não?
NR: Pode ser, pode ser. Mas como escalarias o Avaí, então Telê?
TS: Pode parecer ousado, mas com os jogadores que compõe o elenco eu escalaria da seguinte forma: faria uma linha de quatro marcadores, que não poderiam passar do meio de campo, exceção às cobranças de escanteio quando dois subiriam e dois atacantes voltariam para evitar contra ataques.
AN: Quem seriam eles?
TS: Diogo Orlando, Gian, Gustavo Bastos e Thiago Sales. Diga-se de passagem não sei por que este garoto não está sendo aproveitado. No meio eu jogaria com Lincoln e o colombiano, o Estrada. E no ataque, Arlan, Rafael Coelho, Willian e Cleverson.
NR: Mas daí ponho três volantes, marco os dois meias e ganhei o meio campo.
TS: Ledo engano, pois Arlan e Cleverson, pela direita e esquerda respectivamente, voltariam para a tabela e jogadas pelas linhas de fundo. Além do que ambos, juntamente com Rafael Coelho e Willian seriam responsáveis por marcar a saída de bola e junto com os dois meias fazer uma “blitz” no campo adversário nos primeiros 20 minutos de cada etapa.
AN: É poderia dar certo. Mas longe da perfeição …
TS: “É impossível atingir a perfeição, mas é possível aproximar-se dela.”
NR: E se o adversário tiver um meia habilidoso?
TS: P… Nelson, tu gosta de me colocar à prova, hein? Daí saca o Arlan e coloca um volante para jogar na frente da zaga. Pode ser o Bruno. E os quatro marcadores tem que ficar lá. Em linha. Apertando o adversário. Uma coisa eu te garanto. Se jogar com garra e determinação, pode até não se salvar, mas conseguirá retomar o apoio maciço da torcida!
AN: E a seleção hoje, Telê, como escalarias?
TS: Considerando os jogadores que o Mano Menezes convocou eu jogaria com: Jeferson; Danilo, Dedé, Emerson e Cortês; Casemiro, Oscar, Lucas e Ronaldinho; Borges e Neymar.
NR: Seria um bom time. Mas longe de uma seleção! E para variar eu bati. Vencemos Evanylson! E que essa vitória seja a primeiras das próximas que virão para o teu Avaí. E que ele se salve assim como o meu tricolor se salvou em 2009 para depois se sagrar campeão em 2010.
EV: Que assim seja!

Eles se despedem e enquanto Evanylson guarda as pedras, os convidados se vão.

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* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.
** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.
- Leu os outro debates? Não? então clique aqui.

11/11/2010

Mesa quadrada 11/11/2010 – Debate Esportivo

Fazia tempo que Evanylson não trazia seu dominó para assistir uma partida. Andava cabisbaixo com o fraco desempenho de seu time, o Avaí. Mas hoje o astral era diferente. Basta ao Avaí não perder para o Goiás ou ocorrer um empate com mais de três gols para cada equipe que o time do Evanylson passa para a semi-final da Copa Sul-americana.

Então com um pouco de animação ele puxou uma cadeira, sentou-se e esparramou as pedras do dominó sob a mesa. Nesse instante Garrincha, Armando Nogueira e Nelson Rodrigues surgem por entre as árvores.

Armando Nogueira (AN): Fala Evanylson. Hoje teu Avaí classifica?
Evanylson (EV): Espero que sim, Armando. Afinal, nem é tão complicado assim.
Nelson Rodrigues (NR): E aí, vamos jogar? Faz tempo que não ganho uma partidinha?
Garrincha (GA): Falando em ganhar, Nelson. Teu tricolor não iria ser campeão com cinco rodadas de antecedência? Faltam quatro rodadas e não tem nada decidido.
NR: E o nosso bolão vamos fazer?.
GA: Mas já começou a partida.
EV: Vamos fazer sim. Aposto 2 a 1 para o Avaí.
AN: 0 a 0.
GA: Um a um.
NR: Um a zero para o Goiás.
EV: Poxa, Nelson.
NR: Mas é o que vai dar Evanylson.
GA: E o Brasileirão. Será que o Fogão ganha uma vaga para a Libertadores..
NR: Claro que ganha. O Ibope não supervalorizou algumas pesquisas. Algo de troca o Sr. Montenegro deve ganhar, não acham?.
AN: Poxa Nelson, estás ácido hoje, hein!!!
NR: Racional, apenas, meu caro Armando.
EV: Gol do Goiás, não acredito no que esse Avaí não faz. É de matar a gente do coração.
GA: Calma Evanylson. Ainda vai empatar.
NR: Empata nada, esse bolão eu levo!!!
GA: Nelson e o brasileirão o Flu leva mesmo ou vai dar Corinthians?
AN: Ainda tem o Cruzeiro.
E termina o primeiro tempo na Ressacada.
NR: Com a ajuda do senhor do apito o Corinthians até poderia levar. Mas creio que ficarão apenas com a vaga para a Libertadores o que já deixará a fiel satisfeita. Pois o título é do tricolor e ninguém tira.
EV: Mas o Ricardo vai deixar o Fluminense ser campeão depois da brinca com o presidente do tricolor e o não do Muricy?
AN: É Evanylson, essa resposta só ao fim do campeonato.
EV: Assim como o Grêmio que quer uma vaga para a Libertadores, sendo que o Fábio ganhou a eleição para o clube dos treze vencendo o candidato do Ricardo.
NR: Mais uma razão para o Botafogo ficar com a vaga para a Libertadores.
EV: Começou o segundo tempo! Tem jogador que sequer deveria vestir a camisa do Avaí
AN: É neste ano o Avaí cometeu muitos erros.
NR: Tem atleta ali que deveria mudar de profissão, isso sim!
EV: Na verdade o Avaí seguiu direitinho a cartilha do rebaixamento.
GA: Falando nisso, vamos palpitar quem vai ser os rebaixados e os primeiros colocados?
NR: Rebaixados: Grêmio Prudente, Goiás, Avaí e Guarani. Campeão o Tricolor seguido de Cruzeiro, Corinthians e Botafogo, que diga-se de passagem não vai para a Libertadores por que o Palmeiras, do Felipão, vai ser campeão da Sul-Americana.
EV: isso se passar do meu Avaí.
NR: Teu Avaí tem que passar do Goiás.
AN: Calma gente. Vou palpitar, também. Rebaixados: Prudente, Goiás, Guarani e Vitória. Campeão o Cruzeiro, seguido por Fluminense, Corinthians e Grêmio.
GA: Rebaixados: Prudente, Goiás, Avaí e Flamengo. Campeão o Corinthians, seguido de Cruzeiro, Fluminense e Botafogo, que vai para a Libertadores, por que a LDU vai ganhar de novo a Sul-Americana.
EV: Eu concordo que Prudente e Goiás vão cair, os outros dois acho que vão ser Guarani e Atlético de Goiás. Campeão será o Fluminense seguido de Cruzeiro, Corinthians e Grêmio.
AN: Muitas divergências.
NR: Menos no rebaixamento do Prudente e do Goiás e no título do Tricolor que vocês não querem aceitar. E olha ali, o Avaí perdeu Evanylson. Pode me passar o bolão
(Evanylson cabisbaixo)
AN: Fica assim não rapaz. Tempos melhores virão.
NR: Então esperemos esses tempos, por que ganhei o bolão e aqui bati mais uma vez.
(Enquanto Evanylson, triste com a eliminação do Avaí, guarda as pedras, nossos convidados se vão).

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.

05/09/2010

Mesa quadrada 05/09/2010 – Debate Esportivo

Estávamos nos ajeitando para assistir ao jogo do Flamengo contra o Santos, quando Evanylson veio com o seu dominó.
Sem dizer nada, sentou-se e abriu a caixa e logo surgiram por entre as árvores, vindo em nossa direção Armando e Nelson Rodrigues, conversando com Brandão o técnico que tirou o Corinthians da fila. Atrás deles vinha Mané rindo e cantando com o compositor e cantor Cartola.

Cartola (CA) cantava e o Mané Garrincha(GA) acompanhava:
Por Deus, não posso entender / Porque vamos chorando / Se os nossos cicerones / São aves cantando / Lateralmente as flores / Deitam aroma sorrindo / E ouço da natureza / Que sejam bem-vindos / O vento de quando em quando / Num sussuro sereno / Obriga toda a floresta / A nos fazer aceno / E um festival de alegria / Que me põe a imaginar / Não sei se devemos rir / Ou Chorar[1]
Armando Nogueira (AN): E aí Evanylson como vão as coisas, esse aqui é o Brandão o técnico que tirou o timão da lama.
Evanylson (EV): Prazer seu Brandão.
GA: E este é o Cartola…
EV: Dispensa comentários, seja bem vindo, seu Cartola.
Brandão (BR): E vamos jogar ou conversar?
EV: Porque não os dois?

E começa a partida entre Flamengo e Santos ao mesmo tempo que começa o dominó. Nelso e Brandão, contra Evanylson e Armando.

Nelson Rodrigues (NR): E não vamos fazer nosso bolão? Tá acumulado.
CA: Dou meu palpite primeiro, um a um.
GA: Dois a zero para o Santos.
NR: Deixa eu pensar o que é melhor para o meu tricolor … Um a zero para os urubu.
AN: Dois a um para o Flamengo.
BR: Um a zero para o Santos.
EV: Três a um para o Santos e o Marquinhos faz um gol de falta.
GA: E aí Brandão gostou da goleada do Timão ontem?
BR: O Corinthians tem um time limitado mas bem arrumado pelo Adílson. Vai lutar pelo título. Não vai mas sofrer tanto como antigamente.
NR: Com a ajuda do senhor do apito … Mas o título ninguém vai tirar do tricolor na marra não!
AN: Competitivo como era aquele teu time de 1977.
BR: Isso mesmo. E lá nos sagramos campeões paulistas tirando o Timão da fila.
NR: Com gol decisivo do Basílio que sequer foi convidado para participar das comemorações do centenário …
GA: Ranzinza, hein, Nelson.
NR: Apenas ácido e realista, Mané, apenas isso.
BR: Mas ser carregado pelos jogadores e ter o reconhecimento da torcida isso vale muito. Às vezes até mais do que os títulos.
GA: Talvez isso sirva de consolo para o Basílio. Mas parabéns ao Timão pelo seu centenário.
NR: E se os senhores dos apitos não atrapalharem ficarão sem título neste centenário.
AN: Tá bom, Nelson, tá bom …
EV: O Fluminense vai ser campeão com cinco rodadas de antecedência, né Nelson.

Todos riem, menos Nelson Rodrigues.

NR: Isso mesmo. Podem rir agora, lá na frente lembrem que eu havia avisado.
AN: E, Brandão tu foste campeão pelos três grandes de São Paulo, não é isso?
BR: Isso mesmo, títulos paulistas pelo São Paulo em 1971, pelo Palmeiras em 1947, 1959, 1972 e 1974 e pelo Corinthians em 1977.

E termina o primeiro tempo no Maracanã.

EV: Canta uma para nós aí, Cartola?
CA:
Lá se vão / lá se vão tantos anos / já nem me lembro mais / a ausência de tantos desenganos / que saudades da judivivens / que saudade / eu vou dizer pra você / voce sabe como é / eu também sou uma viúva do Pelé / pois é / mas / não se perde a esperança / quem sabe o  nosso futebol / seja menos criança / e como um sol / volte a brilhar / e me faça / a mangueira de novo sambar / gol / a vida é mais feliz / gol  / eu nao quero mais dor nem cicatriz / nem violência / quero decência / eu quero mais amor / então / vamos esperar /quem sabe deus / resolva se acordar / e nos traga de volta / pra esse bem comemorar / comemorar / lairara laralaiala lairara laralaiala / lairara laralaiala lairara laralaiala[2].
GA: Nada como um bom samba.
NR: E uma boa bebida, né Mané …
EV: Começou o segundo tempo!
GA: E vou trazer o Neymar para nossa conversa de novo. O que vocês acharam da atitude dele contra o Avaí?
NR: O Delegado (Antônio Lopes) não teria motivos para inventar aquilo.
GA: É claro que o moleque tá com a cabeça virada. E quem não estaria?
BR: Mas os clubes precisavam trabalhar melhor a cabeça dessa garotada para a profissionalização. É muita grana que rola no mundo do futebol hoje em dia.
AN: E, infelizmente, falta muita educação e caráter nas pessoas. Fruto da ausência do Estado na vida das pessoas.
EV: Tá ficando muito política essa discussão.
NR: Mas tudo é política, Evanylson. E assim como na política, no futebol a malandragem, também, impera.
GA: Mas não a antiga malandragem.
AN: Noel Rosa não está aqui hoje, para dizer “que esta tal malandragem não existe mais”.
BR: Mas alguém precisa dar uns conselhos a esse rapaz.
GA: E o Santos, hein. Sem o quarteto santástico parece um time tão normal …
EV: E terminou o jogo no Maracanã.
AN: Ah, essa copa no Brasil …
NR: Outro dia nós conversamos sobre esse assunto, por que por hoje já deu. Bati mais uma vez.
GA: E o nosso bolão, Evanylson?
EV: Ninguém venceu. Acumulou. E a saideira, Cartola?
CA:
Tudo de alegrias e de tristezas conheci / Coisas do amor e do sofrer, eu já senti, / Nada me transforma a alegria de viver, / Ver a noite vir e sorrir, ao sol nascer, / Vivo esperando o novo dia, / Que irá trazer a luz, que sempre ficará ![3]

Enquanto Evanylson guarda as pedras, nossos convidados se vão.

[1] Que sejam bem vindos, composição de Cartola
[2] Futebol, composição de Cartola.
[3] Canção de Saudade, composição de Cartola.

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* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.
** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.
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28/08/2010

Mesa quadrada 28/08/2010 – debate esportivo

Já eram seis horas da tarde, quando Evanylson se aproximou do quiosque para assistir a partida entre o Internacional e o Botafogo. Claro que trazia consigo a caixa de dominó.

Perguntou se eu queria jogar e foi logo abrindo a caixa. Sem tempo de eu responder, junto com Nelson Rodrigues chegam os cantores e compositores Noel Rosa e Pixinguinha.

Enquanto se aproximavam Garrincha, Armando Nogueira e o grande goleiro Barbosa, Pixinguinha, acompanhado por Noel, começou a cantar:

Vai começar o futebol, pois é, / Com muita garra e emoção / São onze de cá, onze de lá /E o bate-bola do meu coração / É a bola, é a bola, é a bola, / É a bola e o gol! / Numa jogada emocionante / O nosso time venceu por um a zero / E a torcida vibrou / Vamos lembrar / A velha história desse esporte / Começou na Inglaterra / E foi parar no Japão / Habilidade, tiro cruzado, / Mete a cabeça, toca de lado, / Não vale é pegar com a mão / E o mundo inteiro / Se encantou com esta arte / Equilíbrio e malícia / Sorte e azar também / Deslocamento em profundidade / Pontaria / Na hora da conclusão / Meio-de-campo organizou / E vem a zaga rebater / Bate, rebate, é de primeira / Ninguém quer tomar um gol / É coisa séria, é brincadeira / Bola vai e volta / Vem brilhando no ar / E se o juiz apita errado / É que a coisa fica feia / Coitada da sua mãe / Mesmo sendo uma santa / Cai na boca do povão / Pode ter até bolacha / Pontapé, empurrão / Só depois de uma ducha fria / É que se aperta a mão Ou não! / Vai começar… / Aos quarenta do segundo tempo / O jogo ainda é zero a zero / Todo time quer ser campeão / Tá lá um corpo estendido no chão / São os minutos finais / Vai ter desconto / Mas, numa jogada genial / Aproveitando o lateral / Um cruzamento que veio de trás / Foi quando alguém chegou / Meteu a bola na gaveta / E comemorou[i]

Armando Nogueira (AN): Depois dessa aula de futebol, que pode ter sido até um prenúncio do resultado do jogo, vamos fazer nossas apostas de placar?

Pixinguinha (PI): Um a zero para o Botafogo.

Noel Rosa (NR): Zero a zero.

Garrincha (GA): Dois a zero para o Fogão.

Nelson Rodrigues (NR): Dois a um para o Internacional.

Barbosa (BA): Um a um.

Evanylson (EV): Dois a zero para o Internacional.

AN: Três a um para o Inter.

Formadas as duplas do dominó – Evanylson e Armando Nogueira contra Nelson Rodrigues e Barbosa, a bola começou a rolar no Beira Rio. E o papo começa a rolar no mesa quadrada.

 

EV: Barbosa ainda guardas mágoas pelo que ocorreu em 1950?

BA: Não guardo mágoa não. Mas eu podia não ter sofrido aquele gol do Ghiggia, né! Assim seria um herói.

NR: Herói de quem Barbosa? “O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.” Basta ver as figuras que vão eleger em outubro!

AN: É verdade, o brasileiro não sabe valorizar o seu herói do futebol. Veja o que o Barcelona fez ao Ronaldinho Gaúcho.

PI: Isso no Brasil não existe. Nem no futebol e nem na música.

BA: Mas se eu pego aquela bola … Fui tentar agir por instinto …

GA: Se tu pegas aquela bola o Brasil já seria Hexa.

AN: E quem sabe o futebol brasileiro seria outro. Mas o que passou é passado. E foste um goleiro brilhante e a torcida vascaína te idolatra!

BA: Falando nisso, quanto é que está o jogo do Vasco?

Noel aproveitou e passou a cantarolar:

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa / Uma boa média que não seja requentada / Um pão bem quente com manteiga à beça / Um guardanapo e um copo d’água bem gelada / Feche a porta da direita com muito cuidado / Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol / Vá perguntar ao seu freguês do lado / Qual foi o resultado do fute..bol / Se você ficar  limpando a mesa / Não me levanto nem pago a despesa / Vá pedir ao seu patrão / Uma caneta, um tinteiro, / Um envelope e um cartão, / Não se esqueça de me dar palitos / E um cigarro pra espantar mosquitos / Vá dizer ao charuteiro / Que me empreste umas revistas, / Um isqueiro e um cinzeiro / Seu garçom faça o favor de me trazer depressa… / Telefone ao menos uma vez / Para três quatro quatro três três três  / E ordene ao seu Osório / Que me mande um guarda-chuva / Aqui pro nosso escritório / Seu garçom me empresta algum dinheiro / Que eu deixei o meu com o bicheiro, / Vá dizer ao seu gerente / Que pendure esta despesa / No cabide ali em frente / Seu garçom faça o favor de me trazer depressa / Uma boa média que não seja requentada / Um pão bem quente com manteiga à beça / Um guardanapo e um copo d’água bem gelada / Feche a porta da direita com muito cuidado / Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol / Vá perguntar ao seu freguês do lado / Qual foi o resultado do fute..bol[ii]

EV: Tá zero a zero.

BA: E esse negócio de estádio para o Corinthians?

NR: Cem anos e não tem estádio. Que diz ter uma das maiores torcidas do Brasil. Só mostra a sacanagem que é o futebol brasileiro.

AN: Sacanagem é o que vão fazer com o dinheiro do brasileiro.

EV: Gol do Inter.

GA: Não tava impedido não?

NR: Menos, Mané. Menos.

AN: Mas com tantos estádios em São Paulo, construir um novo somente para a Copa do Mundo e para que o Corinthians possa ter um estádio, parece ser desperdício de dinheiro. Não que o Corinthians não deva ter seu estádio. Mas por que razão ser esse o da Copa e não o Morumbi ou o Estádio que o Palmeiras vai fazer?

NR: Tem coisas, que só vamos saber quando o Ricardo pular para o lado de cá, e olhe lá!

EV: Só para constar que Pixinguinha, Noel e Garrincha já ficaram fora do nosso bolão depois do gol do Inter.

GA: Barbosa foram quantos títulos que conquistaste pelo Vasco mesmo?

BA: 10 títulos, entre cariocas, rio-são paulo e Sul-americano de campeões.

NR: Por isso não precisas esperar nada do povo brasileiro.

AN: Foste um goleiro excepcional. “A criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Eras um goleiro magistral e fazias milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais via o lance, mais o absolvia”.

EV: E para a alegria do Barbosa. Gol do Vasco. E termina o primeiro tempo no Beira Rio. Canta uma para nós aí, Noel?

NR: Deixa de arrastar o teu tamanco / Pois tamanco nunca foi sandália / E tira do pescoço o lenço branco  Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha / Com chapéu do lado deste rata / Da polícia quero que escapes / Fazendo um samba-canção / Já te dei papel e lápis / Arranja um amor e um violão / Malandro é palavra derrotista / Que só serve pra tirar / Todo o valor do sambista / Proponho ao povo civilizado / Não te chamar de malandro / E sim de rapaz folgado[iii].

EV: Barbosa, o Cruzeiro empatou ao final do primeiro tempo.

BA: Ainda dá tempo para o Vasco vencer.

22/08/2010

Mesa quadrada 22/08/2010

Estava para iniciar a partida entre Vasco e Fluminense, quando Evanylson chegou com seu dominó para assistir o jogo, ali no quiosque. Foi sair o gol do Fluminense, aos seis minutos de jogo, que Evanylson bateu com a caixa do dominó na mesa e ela se abriu.

Então eis que surge para jogar dominó e assistir a partida o Garrincha. Todo bobo, tirando onda do Evanylson pelo seu Fogão ter vencido do Avaí.

Evanylson (EV): Deixa, deixa. Só um a zero num time quase que reserva.

Logo depois apareceram Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, acompanhados da cantora Elis Regina.

Nelson Rodrigues (NR): E meu tricolor já tá vencendo!

Armando Nogueira (AN): Será hoje que termina a invencibilidade do PC Gusmão?

Elis sequer deixou eles discutirem, aproveitou a pausa e começou a cantar[i]:

Brasil está vazio na tarde de domingo, né? /olha o sambão, aqui é o país do futebol / Brasil está vazio na tarde de domingo, né? / olha o sambão, aqui é o país do futebol / No fundo desse país / ao longo das avenidas / nos campos de terra e grama / Brasil só é futebol / nesses noventa minutos / de emoção e alegria / esqueço a casa e o trabalho / a vida fica lá fora / dinheiro fica lá fora / a cama fica lá fora / família fica lá fora / a vida fica lá fora / e tudo fica lá fora

Garrincha (GA): Cantas bem, muito bem …

NR: “Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro”.

AN: Se não esquecesse de tudo pelo futebol.

NR: Droga. Gol do Vasco.

Garrincha (GA): Excelente jogada do Carlos Alberto, viram.

EV: Joga bem, mas ás vezes tem cabeça fraca. Mas Elis, é verdade que já cantaste com o Pelé?

Elis Regina (ER): (sorrindo) Sim, foi muito bom.

AN: A Rainha da MPB e o Rei do Futebol.

Nisto terminou o primeiro tempo da partida entre Vasco e Fluminense.

GA: Canta uma para nós, aí, Elis:

Não, não vá embora, não / Porque saudade vai ficar em seu lugar / Não me faça sofrer a sua ausência / Tenha paciência, não vá embora, não me deixes, não / Quando você chegou, foi recebida de braços abertos / Jurava me dar amor, ser boazinha e não falar em ir embora / Agora, depois de tanto tempo, quer partir/ Sem dizer qual a razão / Não vá, meu bem, porque depois, perdão não tem[ii]

NR: E “não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe”.

AN: Que amargura Nelson.

GA: Língua afiada, isso sim! E, falando não ir embora. O que vocês acharam do Neymar ter ficado no Santos.

AN: Bom para o futebol brasileiro. Para o Santos e para o Neymar só o tempo dirá.

EV: Gol do Vasco. Para desespero do Nelson.

GA: Assim, o Corinthians que está ganhando do São Paulo encosta no teu tricolor Nelson.

NR: O jogo, ainda não terminou.

GA: Só falta o Flu dar um vexame, agora.

ER: Lembra a outra música que cantei com Pelé:

Outro dia me pegaram de surpresa / E me deram um violão e fizeram eu cantar / Lá, lá, lá, lá, lá / Eu, todo desajeitado cantando tudo errado / Sem saber como parar / Foi um tremendo dum vexame / Mas o engraçado é que eu cantava errado / E os puxa achavam bom / Lá estava o rádio, jornal e a televisão / E eu todo sem graça só fazia laralá[iii]”.

GA: O Pelé, com seu violão, era uma figura nas concentrações. Tempo bom o de concentração de seleção. Ainda bem que não joguei com o Dunga.

Todos riram, especialmente, Elis que gargalhou.

EV: Gol do Flu.

NR: O jogo só acaba quando o juiz apita!

ER: É verdade.

AN: Vejam o Palmeiras na partida de quinta-feira passada!

GA: Mas hoje o Felipão na venceu de novo.

NR: Falta jogador para o Palmeiras. E o São Paulo vai ficar quanto tempo sem contratar um treinador? Já tomou o terceiro gol do Corinthians.

EV: O São Paulo tá é flertando com a zona de rebaixamento.

AN: Lugar que o Grêmio-RS e o Atlético-MG não querem sair de forma nenhuma.

EV: E terminou o jogo.

GA: O nosso?

AN: Não, o do Vasco e do Tricolor.

NR: O nosso, também.

Nelson Rodrigues que jogava com Garrincha, novamente, fecha o jogo, vencendo a partida.

Antes de irem Evanylson ainda pediu para Elis:

EV: Pimentinha canta uma de despedida aí para gente, canta:

ER: Vou cantar uma que serve para inspirar o Brasil[iv]:

“ Caía a tarde feito um viaduto / E um bêbado trajando luto / Me lembrou Carlitos… / A lua / Tal qual a dona do bordel / Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel / E nuvens! / Lá no mata-borrão do céu / Chupavam manchas torturadas / Que sufoco! / Louco! / O bêbado com chapéu-coco / Fazia irreverências mil / Prá noite do Brasil. / Meu Brasil!… / Que sonha com a volta / Do irmão do Henfil. / Com tanta gente que partiu / Num rabo de foguete / Chora! / A nossa Pátria / Mãe gentil / Choram Marias / E Clarisses / No solo do Brasil… / Mas sei, que uma dor / Assim pungente / Não há de ser inutilmente / A esperança… / Dança na corda bamba / De sombrinha / E em cada passo / Dessa linha / Pode se machucar… / Azar! / A esperança equilibrista / Sabe que o show / De todo artista / Tem que continuar…

E Elis Regina vai embora enquanto Evanylson guarda as pedras.

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* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.


[iv] O Bêbado e a Equilibrista, composição de João Bosco e Aldir Blanc


[iii] Vexamão, composição de Edson Arantes do Nascimento.


[ii] Perdão não tem, composição de Edson Arantes do Nascimento.


[i] Aqui é o país do futebol, composição de Milton Nascimento e Fernando Brant.

16/08/2010

Mesa quadrada – 16/08/2010

Com sua caixa de dominós em punho Evanylson se aproxima do quiosque, senta numa das cadeiras mais próximas do bar e abre a caixa. Nesse momento começam a vir em sua direção Nelson Rodrigues e Armando Nogueira.

Um pouco mais atrás, conversando e rindo, vinham Garrincha e o jornalista e cartunista Henfil.

Armando Nogueira (AN): Evanylson, hoje temos um novo parceiro de partida. Este é o Henfil.

Henfil cumprimento Evanylson e puxa uma cadeira para sentar e Garrincha fica um pouco mais afastado da mesa, entre Nelson Rodrigues e Evanylson, que hoje novamente formaria dupla com Armando. Formando-se, assim, mais uma vez a “mesa quadrada”. E futebol não poderia deixar de ser o assunto dos colegas de dominó.

Garrincha (GA): Viram o meu fogão? Tá quase no G4.

AN: Os clubes cariocas foram muito bem neste final de semana. Todos os quatro venceram.

Nelson Rodrigues (NR): E o tricolor voando no campeonato.

Evanylson (EV): Eu lembro, que semana passada disseste que ele vai ser campeão com cinco rodadas de antecedência. To apostando, hein!

NR (sorrindo um pouco): Aposte, Evanylson, aposte!

EV: É verdade, Henfil, que foi você quem criou os mascotes dos times do Rio?

Henfil (HE): Isso mesmo, Evanylson. Quando eu ia no Maracanã cobrir os jogos pelo Jornal dos Sports pude observar “que a torcida do Botafogo”, aí do Mané, “chingava a do Flamengo urubu”. Já a torcida do Flamengo chamava a do Vasco de bacalhau. E a do Fluminense, aí do Nelson, era zoada “porque tinha muito cara empoado, da Zona Sul, caras mais ricos”, sabe. Daí, “eram chamados de pó de arroz”.

NR (visivelmente contrariado): E a do Botafogo?

HE: Bem, a do Botafogo acabei por fazer uma votação entre os leitores do jornal, que acabaram batizando a torcida de “cri-cri” “por conta de sua chatice”.

(Com exceção de Mané, todos riram na mesa)

EV: Mas eles continuam assim né!

(Mais risadas)

HE: Mas o importante naquela época é que “havia uma união relativa” entre as torcidas. Por exemplo, Flamengo e Vasco formavam a “Frente Urucubaca”.

AN: E hoje os torcedores se digladiam antes e depois das partidas. Por que não pode ser diferente?

HE: Bem, Armando, “enquanto acreditarmos em nossos sonhos, nada será por acaso”.

AN: E quem anda sonhando é o time do Avaí. O Delegado armou o time de uma forma que está difícil contê-los.

GA: Eu gosto daquele garoto Roberto. Pena que se machucou.

NR: Eu já disse aqui e repito, “um time tem que ser um conjunto harmônico e potente” e este time do Avaí, ao contrário dos clubes do futebol paulista, tem mostrado isso.

EV: Tô louco é para assistir ao jogo do Inter.

NA: Fica tranqüilo, Evanylson, essa taça ninguém tira dos colorados.

NR: Já a do brasileirão …

Para não perder o costume Nelson Rodrigues bate novamente a partida e se levanta, indo embora, discutindo um pouco com Henfil sobre os “caras empoados”.

AN: Tá difícil para você ganhar uma Evanylson.

EV: Deixa, na próxima eu jogo com o Nelson.

Mané e Armando sorriem e também se vão.

E Evanylson mais uma vez recolhe as suas pedras, enquanto eles partem …

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada, são de autoria dos próprios interlocutores.

Leu as outras mesas quadradas? Não? Então clica aqui.

Quer saber mais sobre Henfil? Visite o blog myhistories.wordpress.com

10/08/2010

Mesa Quadrada – 09/08/2010

Evanylson, novamente, com seu jogo de dominó nas mãos, puxou uma cadeira e sentou. Dessa vez ele sequer me chamou para jogar. Foi só abrir a caixa de dominó que Armando Nogueira apareceu.

Armando Nogueira (AN): Infelizmente, o Garrincha não pode vir hoje.

Cheguei a pensar que participaria então dessa partida. Mas Armando Nogueira logo complementou:

AN: Mas o Nelson trará outro jogador.

Nisso chegaram Nelson Rodrigues e João Saldanha, jornalista e o treinador que classificou a seleção brasileira para a copa de 1970.

Então se formaram as duplas: Nelson e João, contra Evanylson e Armando. E não demorou muito para futebol ser o assunto da “mesa quadrada”.

Nelson Rodrigues (NR): Gostaram do tricolor? Mais líder do que nunca.

AN: É, vem jogando bem. E com o Deco entrando no time, talvez ninguém segure o Fluminense.

NR: O tricolor vai ser campeão com cinco rodadas de antecedência. Anotem aí.

Evanylson (EV): Mas qual tricolor?

NR (um pouco contrariado): Evanylson, Evanylson. “tricolor só existe um: o Fluminense, o resto são apenas times de três cores”.

AN: E com a vitória do Fluminense o Grêmio demitiu o Silas.

EV: E, também, já havia sido demitido na semana passada o Ricardo Gomes e ontem também mandaram embora o Estevam Soares. Falando nisso, ô Saldanha, tu não foi a Copa só por que não quiseste escalar o Pelé e o Tostão juntos?

João Saldanha (JS): (que até então apenas ouvia a conversa) Claro que não Evanylson. Acreditar nisso é muita ingenuidade. Eu não fui à Copa por que eu era filiado ao Partido Comunista Brasileira. A nossa seleção era uma das melhores na Copa. Tudo para ser campeã. Você acha que a ditadura iria deixar a seleção vir vitoriosa do México sob o comando de um líder oposicionista?

AN: É, Evanylson. É “difícil quando se tem a certeza de que um sonho é apenas um sonho”. E o povo vive de sonhos e vive sendo ludibriado a sonhar.

NR: E a seleção brasileira amanhã, sem nenhum jogador do tricolor, hein?

AN: Mas terá jogadores artistas capazes de tratar a bola com o respeito que ela merece ser tratada. Vão fazer os americanos gritar olé.

EV: Falando, nisso, como é que surgiu o olé no futebol, hein?

JS: O Garrincha é que deveria estar aqui para nos contar. Em 1958 o Botafogo foi jogar no México contra o Ríver Plate da Argentina. Então, a torcida mexicana acostumada a gritar olé nas touradas, passou a gritar olé para cada drible do Mané. Imagina a loucura. O Mané indo para um lado o marcador enganado e a torcida gritando Ooooooooo-lé! Depois de um tempo é que o toque de bola ficou marcado pelo grito de olé pelas torcidas.

Nelson Rodrigues, entediado, novamente colocou a última pedra, e ganhou a partida, levantando-se da mesa.

AN: Essa não deu Evanylson.

João Saldanha ainda deu um puxão de orelha:

JS: Vê se melhora esses teus palpites, hein!

O Evanylson mais uma vez recolheu as suas pedras. E eles se foram …

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.

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05/08/2010

Mesa Quadrada – 05/08/2010

Evanylson aproximou-se do quiosque e me convidou para uma partida de dominó. Infelizmente, tive que recusar, pois há muito trabalho por fazer.

Mesmo assim ele ali sentou, com as pedras de dominó dispostas sobre a mesa.

De repente começaram a chegar uns parceiros para a partida que Evanylson tanto queria disputar. E não eram quaisquer pessoas. Primeiro sentou Nelson Rodrigues, o dramaturgo e jornalista. Não me pergunte como isso está acontecendo, não sei explicar. Depois veio Armando Nogueira, jornalista e cronista esportivo impecável. E, por fim, a chamado do Armando, sentou o Mané. Isso mesmo, o Sr. Manuel Francisco dos Santos, ou simplesmente, Garrincha.

Eu não conseguia crer como isso é possível, tive que parar tudo o que estava fazendo e fiquei a observar aquela partida de dominó, que acabou se tornando uma “Mesa Quadrada” de discussão sobre futebol:

Armando Nogueira (AN): Que partida ontem em Salvador, não?

Nelson Rodrigues (NR): O meu Fluminense teria metido quatro naquele time do Santos.

Mané Garrincha (MG): Pô Nelson, dá gosto de ver a gurizada jogar. Neymar, Robinho … quase parecem fazer o que eu fazia na minha época.

AN: Ah, Mané. Na tua época eras mágico, malabarista, um verdadeiro artista. Assim como dá gosto de ver aquele menino jogar, o tal do Ganso. Cada toque na bola, a trata realmente com muito carinho. Além do mais, eles tentam te copiar Mané, e “copiar o bom é melhor que inventar o ruim”.

Evanylson (EV): Mas vocês viram que eu acertei o placar da partida?

NR: Pois é Evanylson, estás com a bola toda. Quero ver se o placar de hoje tu ainda acerta! E, Armando, o tal do Ganso joga um bolão, queria ele no meu Fluminense, bem melhor do que trazer o Deco. Até por que “a bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz encontrar e acompanhar o verdadeiro craque.” E isso, esse Paulo Henrique, tem de sobra.

AN: O Lyon não estava atrás de alguém para substituir o Juninho Pernanbucano. Chegaram até cogitar o Hernanes, mas o certo seria o Paulo Henrique. Os franceses iriam ver que existe jogador melhor que o Zidane.

MG: E a convocação do Mano?

NR: Faltaram os jogadores do meu tricolor!

AN: Mas, mesmo assim, acredito nela. Tem mais alegria, mais emoção, o que faltou aos jogadores na Copa do Mundo.

NR: Mas o Dunga não estava errado, pois “o futebol não vive de iluminações pessoais. Um time tem que ser, como tal, um conjunto harmônico e potente”.

MG: E por que não, harmônico, potente e artístico?!

EV: Mandou bem, Mané!

(Nelson Rodrigues, um pouco contrariado, puxou seu cigarro e colocou a última pedra, batendo o jogo, e se levantou da mesa)

AN: Essa partida nós ganhamos Nelson. Evanylson, foi bom jogar essa conversa fora e esse dominózinho. Quem sabe outro dia, marcamos outra. Vamos, Mané?

O Evanylson recolheu as pedras, sorridente. E eles se foram …

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.

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