Com sua caixa de dominós em punho Evanylson se aproxima do quiosque, senta numa das cadeiras mais próximas do bar e abre a caixa. Nesse momento começam a vir em sua direção Nelson Rodrigues e Armando Nogueira.
Um pouco mais atrás, conversando e rindo, vinham Garrincha e o jornalista e cartunista Henfil.
Armando Nogueira (AN): Evanylson, hoje temos um novo parceiro de partida. Este é o Henfil.
Henfil cumprimento Evanylson e puxa uma cadeira para sentar e Garrincha fica um pouco mais afastado da mesa, entre Nelson Rodrigues e Evanylson, que hoje novamente formaria dupla com Armando. Formando-se, assim, mais uma vez a “mesa quadrada”. E futebol não poderia deixar de ser o assunto dos colegas de dominó.
Garrincha (GA): Viram o meu fogão? Tá quase no G4.
AN: Os clubes cariocas foram muito bem neste final de semana. Todos os quatro venceram.
Nelson Rodrigues (NR): E o tricolor voando no campeonato.
Evanylson (EV): Eu lembro, que semana passada disseste que ele vai ser campeão com cinco rodadas de antecedência. To apostando, hein!
NR (sorrindo um pouco): Aposte, Evanylson, aposte!
EV: É verdade, Henfil, que foi você quem criou os mascotes dos times do Rio?
Henfil (HE): Isso mesmo, Evanylson. Quando eu ia no Maracanã cobrir os jogos pelo Jornal dos Sports pude observar “que a torcida do Botafogo”, aí do Mané, “chingava a do Flamengo urubu”. Já a torcida do Flamengo chamava a do Vasco de bacalhau. E a do Fluminense, aí do Nelson, era zoada “porque tinha muito cara empoado, da Zona Sul, caras mais ricos”, sabe. Daí, “eram chamados de pó de arroz”.
NR (visivelmente contrariado): E a do Botafogo?
HE: Bem, a do Botafogo acabei por fazer uma votação entre os leitores do jornal, que acabaram batizando a torcida de “cri-cri” “por conta de sua chatice”.
(Com exceção de Mané, todos riram na mesa)
EV: Mas eles continuam assim né!
(Mais risadas)
HE: Mas o importante naquela época é que “havia uma união relativa” entre as torcidas. Por exemplo, Flamengo e Vasco formavam a “Frente Urucubaca”.
AN: E hoje os torcedores se digladiam antes e depois das partidas. Por que não pode ser diferente?
HE: Bem, Armando, “enquanto acreditarmos em nossos sonhos, nada será por acaso”.
AN: E quem anda sonhando é o time do Avaí. O Delegado armou o time de uma forma que está difícil contê-los.
GA: Eu gosto daquele garoto Roberto. Pena que se machucou.
NR: Eu já disse aqui e repito, “um time tem que ser um conjunto harmônico e potente” e este time do Avaí, ao contrário dos clubes do futebol paulista, tem mostrado isso.
EV: Tô louco é para assistir ao jogo do Inter.
NA: Fica tranqüilo, Evanylson, essa taça ninguém tira dos colorados.
NR: Já a do brasileirão …
Para não perder o costume Nelson Rodrigues bate novamente a partida e se levanta, indo embora, discutindo um pouco com Henfil sobre os “caras empoados”.
AN: Tá difícil para você ganhar uma Evanylson.
EV: Deixa, na próxima eu jogo com o Nelson.
Mané e Armando sorriem e também se vão.
E Evanylson mais uma vez recolhe as suas pedras, enquanto eles partem …
* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.
** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada, são de autoria dos próprios interlocutores.
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