Posts tagged ‘Garrincha’

11/11/2010

Mesa quadrada 11/11/2010 – Debate Esportivo

Fazia tempo que Evanylson não trazia seu dominó para assistir uma partida. Andava cabisbaixo com o fraco desempenho de seu time, o Avaí. Mas hoje o astral era diferente. Basta ao Avaí não perder para o Goiás ou ocorrer um empate com mais de três gols para cada equipe que o time do Evanylson passa para a semi-final da Copa Sul-americana.

Então com um pouco de animação ele puxou uma cadeira, sentou-se e esparramou as pedras do dominó sob a mesa. Nesse instante Garrincha, Armando Nogueira e Nelson Rodrigues surgem por entre as árvores.

Armando Nogueira (AN): Fala Evanylson. Hoje teu Avaí classifica?
Evanylson (EV): Espero que sim, Armando. Afinal, nem é tão complicado assim.
Nelson Rodrigues (NR): E aí, vamos jogar? Faz tempo que não ganho uma partidinha?
Garrincha (GA): Falando em ganhar, Nelson. Teu tricolor não iria ser campeão com cinco rodadas de antecedência? Faltam quatro rodadas e não tem nada decidido.
NR: E o nosso bolão vamos fazer?.
GA: Mas já começou a partida.
EV: Vamos fazer sim. Aposto 2 a 1 para o Avaí.
AN: 0 a 0.
GA: Um a um.
NR: Um a zero para o Goiás.
EV: Poxa, Nelson.
NR: Mas é o que vai dar Evanylson.
GA: E o Brasileirão. Será que o Fogão ganha uma vaga para a Libertadores..
NR: Claro que ganha. O Ibope não supervalorizou algumas pesquisas. Algo de troca o Sr. Montenegro deve ganhar, não acham?.
AN: Poxa Nelson, estás ácido hoje, hein!!!
NR: Racional, apenas, meu caro Armando.
EV: Gol do Goiás, não acredito no que esse Avaí não faz. É de matar a gente do coração.
GA: Calma Evanylson. Ainda vai empatar.
NR: Empata nada, esse bolão eu levo!!!
GA: Nelson e o brasileirão o Flu leva mesmo ou vai dar Corinthians?
AN: Ainda tem o Cruzeiro.
E termina o primeiro tempo na Ressacada.
NR: Com a ajuda do senhor do apito o Corinthians até poderia levar. Mas creio que ficarão apenas com a vaga para a Libertadores o que já deixará a fiel satisfeita. Pois o título é do tricolor e ninguém tira.
EV: Mas o Ricardo vai deixar o Fluminense ser campeão depois da brinca com o presidente do tricolor e o não do Muricy?
AN: É Evanylson, essa resposta só ao fim do campeonato.
EV: Assim como o Grêmio que quer uma vaga para a Libertadores, sendo que o Fábio ganhou a eleição para o clube dos treze vencendo o candidato do Ricardo.
NR: Mais uma razão para o Botafogo ficar com a vaga para a Libertadores.
EV: Começou o segundo tempo! Tem jogador que sequer deveria vestir a camisa do Avaí
AN: É neste ano o Avaí cometeu muitos erros.
NR: Tem atleta ali que deveria mudar de profissão, isso sim!
EV: Na verdade o Avaí seguiu direitinho a cartilha do rebaixamento.
GA: Falando nisso, vamos palpitar quem vai ser os rebaixados e os primeiros colocados?
NR: Rebaixados: Grêmio Prudente, Goiás, Avaí e Guarani. Campeão o Tricolor seguido de Cruzeiro, Corinthians e Botafogo, que diga-se de passagem não vai para a Libertadores por que o Palmeiras, do Felipão, vai ser campeão da Sul-Americana.
EV: isso se passar do meu Avaí.
NR: Teu Avaí tem que passar do Goiás.
AN: Calma gente. Vou palpitar, também. Rebaixados: Prudente, Goiás, Guarani e Vitória. Campeão o Cruzeiro, seguido por Fluminense, Corinthians e Grêmio.
GA: Rebaixados: Prudente, Goiás, Avaí e Flamengo. Campeão o Corinthians, seguido de Cruzeiro, Fluminense e Botafogo, que vai para a Libertadores, por que a LDU vai ganhar de novo a Sul-Americana.
EV: Eu concordo que Prudente e Goiás vão cair, os outros dois acho que vão ser Guarani e Atlético de Goiás. Campeão será o Fluminense seguido de Cruzeiro, Corinthians e Grêmio.
AN: Muitas divergências.
NR: Menos no rebaixamento do Prudente e do Goiás e no título do Tricolor que vocês não querem aceitar. E olha ali, o Avaí perdeu Evanylson. Pode me passar o bolão
(Evanylson cabisbaixo)
AN: Fica assim não rapaz. Tempos melhores virão.
NR: Então esperemos esses tempos, por que ganhei o bolão e aqui bati mais uma vez.
(Enquanto Evanylson, triste com a eliminação do Avaí, guarda as pedras, nossos convidados se vão).

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.

05/09/2010

Mesa quadrada 05/09/2010 – Debate Esportivo

Estávamos nos ajeitando para assistir ao jogo do Flamengo contra o Santos, quando Evanylson veio com o seu dominó.
Sem dizer nada, sentou-se e abriu a caixa e logo surgiram por entre as árvores, vindo em nossa direção Armando e Nelson Rodrigues, conversando com Brandão o técnico que tirou o Corinthians da fila. Atrás deles vinha Mané rindo e cantando com o compositor e cantor Cartola.

Cartola (CA) cantava e o Mané Garrincha(GA) acompanhava:
Por Deus, não posso entender / Porque vamos chorando / Se os nossos cicerones / São aves cantando / Lateralmente as flores / Deitam aroma sorrindo / E ouço da natureza / Que sejam bem-vindos / O vento de quando em quando / Num sussuro sereno / Obriga toda a floresta / A nos fazer aceno / E um festival de alegria / Que me põe a imaginar / Não sei se devemos rir / Ou Chorar[1]
Armando Nogueira (AN): E aí Evanylson como vão as coisas, esse aqui é o Brandão o técnico que tirou o timão da lama.
Evanylson (EV): Prazer seu Brandão.
GA: E este é o Cartola…
EV: Dispensa comentários, seja bem vindo, seu Cartola.
Brandão (BR): E vamos jogar ou conversar?
EV: Porque não os dois?

E começa a partida entre Flamengo e Santos ao mesmo tempo que começa o dominó. Nelso e Brandão, contra Evanylson e Armando.

Nelson Rodrigues (NR): E não vamos fazer nosso bolão? Tá acumulado.
CA: Dou meu palpite primeiro, um a um.
GA: Dois a zero para o Santos.
NR: Deixa eu pensar o que é melhor para o meu tricolor … Um a zero para os urubu.
AN: Dois a um para o Flamengo.
BR: Um a zero para o Santos.
EV: Três a um para o Santos e o Marquinhos faz um gol de falta.
GA: E aí Brandão gostou da goleada do Timão ontem?
BR: O Corinthians tem um time limitado mas bem arrumado pelo Adílson. Vai lutar pelo título. Não vai mas sofrer tanto como antigamente.
NR: Com a ajuda do senhor do apito … Mas o título ninguém vai tirar do tricolor na marra não!
AN: Competitivo como era aquele teu time de 1977.
BR: Isso mesmo. E lá nos sagramos campeões paulistas tirando o Timão da fila.
NR: Com gol decisivo do Basílio que sequer foi convidado para participar das comemorações do centenário …
GA: Ranzinza, hein, Nelson.
NR: Apenas ácido e realista, Mané, apenas isso.
BR: Mas ser carregado pelos jogadores e ter o reconhecimento da torcida isso vale muito. Às vezes até mais do que os títulos.
GA: Talvez isso sirva de consolo para o Basílio. Mas parabéns ao Timão pelo seu centenário.
NR: E se os senhores dos apitos não atrapalharem ficarão sem título neste centenário.
AN: Tá bom, Nelson, tá bom …
EV: O Fluminense vai ser campeão com cinco rodadas de antecedência, né Nelson.

Todos riem, menos Nelson Rodrigues.

NR: Isso mesmo. Podem rir agora, lá na frente lembrem que eu havia avisado.
AN: E, Brandão tu foste campeão pelos três grandes de São Paulo, não é isso?
BR: Isso mesmo, títulos paulistas pelo São Paulo em 1971, pelo Palmeiras em 1947, 1959, 1972 e 1974 e pelo Corinthians em 1977.

E termina o primeiro tempo no Maracanã.

EV: Canta uma para nós aí, Cartola?
CA:
Lá se vão / lá se vão tantos anos / já nem me lembro mais / a ausência de tantos desenganos / que saudades da judivivens / que saudade / eu vou dizer pra você / voce sabe como é / eu também sou uma viúva do Pelé / pois é / mas / não se perde a esperança / quem sabe o  nosso futebol / seja menos criança / e como um sol / volte a brilhar / e me faça / a mangueira de novo sambar / gol / a vida é mais feliz / gol  / eu nao quero mais dor nem cicatriz / nem violência / quero decência / eu quero mais amor / então / vamos esperar /quem sabe deus / resolva se acordar / e nos traga de volta / pra esse bem comemorar / comemorar / lairara laralaiala lairara laralaiala / lairara laralaiala lairara laralaiala[2].
GA: Nada como um bom samba.
NR: E uma boa bebida, né Mané …
EV: Começou o segundo tempo!
GA: E vou trazer o Neymar para nossa conversa de novo. O que vocês acharam da atitude dele contra o Avaí?
NR: O Delegado (Antônio Lopes) não teria motivos para inventar aquilo.
GA: É claro que o moleque tá com a cabeça virada. E quem não estaria?
BR: Mas os clubes precisavam trabalhar melhor a cabeça dessa garotada para a profissionalização. É muita grana que rola no mundo do futebol hoje em dia.
AN: E, infelizmente, falta muita educação e caráter nas pessoas. Fruto da ausência do Estado na vida das pessoas.
EV: Tá ficando muito política essa discussão.
NR: Mas tudo é política, Evanylson. E assim como na política, no futebol a malandragem, também, impera.
GA: Mas não a antiga malandragem.
AN: Noel Rosa não está aqui hoje, para dizer “que esta tal malandragem não existe mais”.
BR: Mas alguém precisa dar uns conselhos a esse rapaz.
GA: E o Santos, hein. Sem o quarteto santástico parece um time tão normal …
EV: E terminou o jogo no Maracanã.
AN: Ah, essa copa no Brasil …
NR: Outro dia nós conversamos sobre esse assunto, por que por hoje já deu. Bati mais uma vez.
GA: E o nosso bolão, Evanylson?
EV: Ninguém venceu. Acumulou. E a saideira, Cartola?
CA:
Tudo de alegrias e de tristezas conheci / Coisas do amor e do sofrer, eu já senti, / Nada me transforma a alegria de viver, / Ver a noite vir e sorrir, ao sol nascer, / Vivo esperando o novo dia, / Que irá trazer a luz, que sempre ficará ![3]

Enquanto Evanylson guarda as pedras, nossos convidados se vão.

[1] Que sejam bem vindos, composição de Cartola
[2] Futebol, composição de Cartola.
[3] Canção de Saudade, composição de Cartola.

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* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.
** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.
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28/08/2010

Mesa quadrada 28/08/2010 – debate esportivo

Já eram seis horas da tarde, quando Evanylson se aproximou do quiosque para assistir a partida entre o Internacional e o Botafogo. Claro que trazia consigo a caixa de dominó.

Perguntou se eu queria jogar e foi logo abrindo a caixa. Sem tempo de eu responder, junto com Nelson Rodrigues chegam os cantores e compositores Noel Rosa e Pixinguinha.

Enquanto se aproximavam Garrincha, Armando Nogueira e o grande goleiro Barbosa, Pixinguinha, acompanhado por Noel, começou a cantar:

Vai começar o futebol, pois é, / Com muita garra e emoção / São onze de cá, onze de lá /E o bate-bola do meu coração / É a bola, é a bola, é a bola, / É a bola e o gol! / Numa jogada emocionante / O nosso time venceu por um a zero / E a torcida vibrou / Vamos lembrar / A velha história desse esporte / Começou na Inglaterra / E foi parar no Japão / Habilidade, tiro cruzado, / Mete a cabeça, toca de lado, / Não vale é pegar com a mão / E o mundo inteiro / Se encantou com esta arte / Equilíbrio e malícia / Sorte e azar também / Deslocamento em profundidade / Pontaria / Na hora da conclusão / Meio-de-campo organizou / E vem a zaga rebater / Bate, rebate, é de primeira / Ninguém quer tomar um gol / É coisa séria, é brincadeira / Bola vai e volta / Vem brilhando no ar / E se o juiz apita errado / É que a coisa fica feia / Coitada da sua mãe / Mesmo sendo uma santa / Cai na boca do povão / Pode ter até bolacha / Pontapé, empurrão / Só depois de uma ducha fria / É que se aperta a mão Ou não! / Vai começar… / Aos quarenta do segundo tempo / O jogo ainda é zero a zero / Todo time quer ser campeão / Tá lá um corpo estendido no chão / São os minutos finais / Vai ter desconto / Mas, numa jogada genial / Aproveitando o lateral / Um cruzamento que veio de trás / Foi quando alguém chegou / Meteu a bola na gaveta / E comemorou[i]

Armando Nogueira (AN): Depois dessa aula de futebol, que pode ter sido até um prenúncio do resultado do jogo, vamos fazer nossas apostas de placar?

Pixinguinha (PI): Um a zero para o Botafogo.

Noel Rosa (NR): Zero a zero.

Garrincha (GA): Dois a zero para o Fogão.

Nelson Rodrigues (NR): Dois a um para o Internacional.

Barbosa (BA): Um a um.

Evanylson (EV): Dois a zero para o Internacional.

AN: Três a um para o Inter.

Formadas as duplas do dominó – Evanylson e Armando Nogueira contra Nelson Rodrigues e Barbosa, a bola começou a rolar no Beira Rio. E o papo começa a rolar no mesa quadrada.

 

EV: Barbosa ainda guardas mágoas pelo que ocorreu em 1950?

BA: Não guardo mágoa não. Mas eu podia não ter sofrido aquele gol do Ghiggia, né! Assim seria um herói.

NR: Herói de quem Barbosa? “O povo é um débil mental. Digo isso sem nenhuma crueldade. Foi sempre assim e assim será, eternamente.” Basta ver as figuras que vão eleger em outubro!

AN: É verdade, o brasileiro não sabe valorizar o seu herói do futebol. Veja o que o Barcelona fez ao Ronaldinho Gaúcho.

PI: Isso no Brasil não existe. Nem no futebol e nem na música.

BA: Mas se eu pego aquela bola … Fui tentar agir por instinto …

GA: Se tu pegas aquela bola o Brasil já seria Hexa.

AN: E quem sabe o futebol brasileiro seria outro. Mas o que passou é passado. E foste um goleiro brilhante e a torcida vascaína te idolatra!

BA: Falando nisso, quanto é que está o jogo do Vasco?

Noel aproveitou e passou a cantarolar:

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa / Uma boa média que não seja requentada / Um pão bem quente com manteiga à beça / Um guardanapo e um copo d’água bem gelada / Feche a porta da direita com muito cuidado / Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol / Vá perguntar ao seu freguês do lado / Qual foi o resultado do fute..bol / Se você ficar  limpando a mesa / Não me levanto nem pago a despesa / Vá pedir ao seu patrão / Uma caneta, um tinteiro, / Um envelope e um cartão, / Não se esqueça de me dar palitos / E um cigarro pra espantar mosquitos / Vá dizer ao charuteiro / Que me empreste umas revistas, / Um isqueiro e um cinzeiro / Seu garçom faça o favor de me trazer depressa… / Telefone ao menos uma vez / Para três quatro quatro três três três  / E ordene ao seu Osório / Que me mande um guarda-chuva / Aqui pro nosso escritório / Seu garçom me empresta algum dinheiro / Que eu deixei o meu com o bicheiro, / Vá dizer ao seu gerente / Que pendure esta despesa / No cabide ali em frente / Seu garçom faça o favor de me trazer depressa / Uma boa média que não seja requentada / Um pão bem quente com manteiga à beça / Um guardanapo e um copo d’água bem gelada / Feche a porta da direita com muito cuidado / Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol / Vá perguntar ao seu freguês do lado / Qual foi o resultado do fute..bol[ii]

EV: Tá zero a zero.

BA: E esse negócio de estádio para o Corinthians?

NR: Cem anos e não tem estádio. Que diz ter uma das maiores torcidas do Brasil. Só mostra a sacanagem que é o futebol brasileiro.

AN: Sacanagem é o que vão fazer com o dinheiro do brasileiro.

EV: Gol do Inter.

GA: Não tava impedido não?

NR: Menos, Mané. Menos.

AN: Mas com tantos estádios em São Paulo, construir um novo somente para a Copa do Mundo e para que o Corinthians possa ter um estádio, parece ser desperdício de dinheiro. Não que o Corinthians não deva ter seu estádio. Mas por que razão ser esse o da Copa e não o Morumbi ou o Estádio que o Palmeiras vai fazer?

NR: Tem coisas, que só vamos saber quando o Ricardo pular para o lado de cá, e olhe lá!

EV: Só para constar que Pixinguinha, Noel e Garrincha já ficaram fora do nosso bolão depois do gol do Inter.

GA: Barbosa foram quantos títulos que conquistaste pelo Vasco mesmo?

BA: 10 títulos, entre cariocas, rio-são paulo e Sul-americano de campeões.

NR: Por isso não precisas esperar nada do povo brasileiro.

AN: Foste um goleiro excepcional. “A criatura mais injustiçada na história do futebol brasileiro. Eras um goleiro magistral e fazias milagres, desviando de mão trocada bolas envenenadas. O gol de Ghiggia, na final da Copa de 50, caiu-lhe como uma maldição. E quanto mais via o lance, mais o absolvia”.

EV: E para a alegria do Barbosa. Gol do Vasco. E termina o primeiro tempo no Beira Rio. Canta uma para nós aí, Noel?

NR: Deixa de arrastar o teu tamanco / Pois tamanco nunca foi sandália / E tira do pescoço o lenço branco  Compra sapato e gravata / Joga fora esta navalha que te atrapalha / Com chapéu do lado deste rata / Da polícia quero que escapes / Fazendo um samba-canção / Já te dei papel e lápis / Arranja um amor e um violão / Malandro é palavra derrotista / Que só serve pra tirar / Todo o valor do sambista / Proponho ao povo civilizado / Não te chamar de malandro / E sim de rapaz folgado[iii].

EV: Barbosa, o Cruzeiro empatou ao final do primeiro tempo.

BA: Ainda dá tempo para o Vasco vencer.

22/08/2010

Mesa quadrada 22/08/2010

Estava para iniciar a partida entre Vasco e Fluminense, quando Evanylson chegou com seu dominó para assistir o jogo, ali no quiosque. Foi sair o gol do Fluminense, aos seis minutos de jogo, que Evanylson bateu com a caixa do dominó na mesa e ela se abriu.

Então eis que surge para jogar dominó e assistir a partida o Garrincha. Todo bobo, tirando onda do Evanylson pelo seu Fogão ter vencido do Avaí.

Evanylson (EV): Deixa, deixa. Só um a zero num time quase que reserva.

Logo depois apareceram Nelson Rodrigues e Armando Nogueira, acompanhados da cantora Elis Regina.

Nelson Rodrigues (NR): E meu tricolor já tá vencendo!

Armando Nogueira (AN): Será hoje que termina a invencibilidade do PC Gusmão?

Elis sequer deixou eles discutirem, aproveitou a pausa e começou a cantar[i]:

Brasil está vazio na tarde de domingo, né? /olha o sambão, aqui é o país do futebol / Brasil está vazio na tarde de domingo, né? / olha o sambão, aqui é o país do futebol / No fundo desse país / ao longo das avenidas / nos campos de terra e grama / Brasil só é futebol / nesses noventa minutos / de emoção e alegria / esqueço a casa e o trabalho / a vida fica lá fora / dinheiro fica lá fora / a cama fica lá fora / família fica lá fora / a vida fica lá fora / e tudo fica lá fora

Garrincha (GA): Cantas bem, muito bem …

NR: “Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro”.

AN: Se não esquecesse de tudo pelo futebol.

NR: Droga. Gol do Vasco.

Garrincha (GA): Excelente jogada do Carlos Alberto, viram.

EV: Joga bem, mas ás vezes tem cabeça fraca. Mas Elis, é verdade que já cantaste com o Pelé?

Elis Regina (ER): (sorrindo) Sim, foi muito bom.

AN: A Rainha da MPB e o Rei do Futebol.

Nisto terminou o primeiro tempo da partida entre Vasco e Fluminense.

GA: Canta uma para nós, aí, Elis:

Não, não vá embora, não / Porque saudade vai ficar em seu lugar / Não me faça sofrer a sua ausência / Tenha paciência, não vá embora, não me deixes, não / Quando você chegou, foi recebida de braços abertos / Jurava me dar amor, ser boazinha e não falar em ir embora / Agora, depois de tanto tempo, quer partir/ Sem dizer qual a razão / Não vá, meu bem, porque depois, perdão não tem[ii]

NR: E “não se apresse em perdoar. A misericórdia também corrompe”.

AN: Que amargura Nelson.

GA: Língua afiada, isso sim! E, falando não ir embora. O que vocês acharam do Neymar ter ficado no Santos.

AN: Bom para o futebol brasileiro. Para o Santos e para o Neymar só o tempo dirá.

EV: Gol do Vasco. Para desespero do Nelson.

GA: Assim, o Corinthians que está ganhando do São Paulo encosta no teu tricolor Nelson.

NR: O jogo, ainda não terminou.

GA: Só falta o Flu dar um vexame, agora.

ER: Lembra a outra música que cantei com Pelé:

Outro dia me pegaram de surpresa / E me deram um violão e fizeram eu cantar / Lá, lá, lá, lá, lá / Eu, todo desajeitado cantando tudo errado / Sem saber como parar / Foi um tremendo dum vexame / Mas o engraçado é que eu cantava errado / E os puxa achavam bom / Lá estava o rádio, jornal e a televisão / E eu todo sem graça só fazia laralá[iii]”.

GA: O Pelé, com seu violão, era uma figura nas concentrações. Tempo bom o de concentração de seleção. Ainda bem que não joguei com o Dunga.

Todos riram, especialmente, Elis que gargalhou.

EV: Gol do Flu.

NR: O jogo só acaba quando o juiz apita!

ER: É verdade.

AN: Vejam o Palmeiras na partida de quinta-feira passada!

GA: Mas hoje o Felipão na venceu de novo.

NR: Falta jogador para o Palmeiras. E o São Paulo vai ficar quanto tempo sem contratar um treinador? Já tomou o terceiro gol do Corinthians.

EV: O São Paulo tá é flertando com a zona de rebaixamento.

AN: Lugar que o Grêmio-RS e o Atlético-MG não querem sair de forma nenhuma.

EV: E terminou o jogo.

GA: O nosso?

AN: Não, o do Vasco e do Tricolor.

NR: O nosso, também.

Nelson Rodrigues que jogava com Garrincha, novamente, fecha o jogo, vencendo a partida.

Antes de irem Evanylson ainda pediu para Elis:

EV: Pimentinha canta uma de despedida aí para gente, canta:

ER: Vou cantar uma que serve para inspirar o Brasil[iv]:

“ Caía a tarde feito um viaduto / E um bêbado trajando luto / Me lembrou Carlitos… / A lua / Tal qual a dona do bordel / Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel / E nuvens! / Lá no mata-borrão do céu / Chupavam manchas torturadas / Que sufoco! / Louco! / O bêbado com chapéu-coco / Fazia irreverências mil / Prá noite do Brasil. / Meu Brasil!… / Que sonha com a volta / Do irmão do Henfil. / Com tanta gente que partiu / Num rabo de foguete / Chora! / A nossa Pátria / Mãe gentil / Choram Marias / E Clarisses / No solo do Brasil… / Mas sei, que uma dor / Assim pungente / Não há de ser inutilmente / A esperança… / Dança na corda bamba / De sombrinha / E em cada passo / Dessa linha / Pode se machucar… / Azar! / A esperança equilibrista / Sabe que o show / De todo artista / Tem que continuar…

E Elis Regina vai embora enquanto Evanylson guarda as pedras.

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* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.


[iv] O Bêbado e a Equilibrista, composição de João Bosco e Aldir Blanc


[iii] Vexamão, composição de Edson Arantes do Nascimento.


[ii] Perdão não tem, composição de Edson Arantes do Nascimento.


[i] Aqui é o país do futebol, composição de Milton Nascimento e Fernando Brant.

10/08/2010

Mesa Quadrada – 09/08/2010

Evanylson, novamente, com seu jogo de dominó nas mãos, puxou uma cadeira e sentou. Dessa vez ele sequer me chamou para jogar. Foi só abrir a caixa de dominó que Armando Nogueira apareceu.

Armando Nogueira (AN): Infelizmente, o Garrincha não pode vir hoje.

Cheguei a pensar que participaria então dessa partida. Mas Armando Nogueira logo complementou:

AN: Mas o Nelson trará outro jogador.

Nisso chegaram Nelson Rodrigues e João Saldanha, jornalista e o treinador que classificou a seleção brasileira para a copa de 1970.

Então se formaram as duplas: Nelson e João, contra Evanylson e Armando. E não demorou muito para futebol ser o assunto da “mesa quadrada”.

Nelson Rodrigues (NR): Gostaram do tricolor? Mais líder do que nunca.

AN: É, vem jogando bem. E com o Deco entrando no time, talvez ninguém segure o Fluminense.

NR: O tricolor vai ser campeão com cinco rodadas de antecedência. Anotem aí.

Evanylson (EV): Mas qual tricolor?

NR (um pouco contrariado): Evanylson, Evanylson. “tricolor só existe um: o Fluminense, o resto são apenas times de três cores”.

AN: E com a vitória do Fluminense o Grêmio demitiu o Silas.

EV: E, também, já havia sido demitido na semana passada o Ricardo Gomes e ontem também mandaram embora o Estevam Soares. Falando nisso, ô Saldanha, tu não foi a Copa só por que não quiseste escalar o Pelé e o Tostão juntos?

João Saldanha (JS): (que até então apenas ouvia a conversa) Claro que não Evanylson. Acreditar nisso é muita ingenuidade. Eu não fui à Copa por que eu era filiado ao Partido Comunista Brasileira. A nossa seleção era uma das melhores na Copa. Tudo para ser campeã. Você acha que a ditadura iria deixar a seleção vir vitoriosa do México sob o comando de um líder oposicionista?

AN: É, Evanylson. É “difícil quando se tem a certeza de que um sonho é apenas um sonho”. E o povo vive de sonhos e vive sendo ludibriado a sonhar.

NR: E a seleção brasileira amanhã, sem nenhum jogador do tricolor, hein?

AN: Mas terá jogadores artistas capazes de tratar a bola com o respeito que ela merece ser tratada. Vão fazer os americanos gritar olé.

EV: Falando, nisso, como é que surgiu o olé no futebol, hein?

JS: O Garrincha é que deveria estar aqui para nos contar. Em 1958 o Botafogo foi jogar no México contra o Ríver Plate da Argentina. Então, a torcida mexicana acostumada a gritar olé nas touradas, passou a gritar olé para cada drible do Mané. Imagina a loucura. O Mané indo para um lado o marcador enganado e a torcida gritando Ooooooooo-lé! Depois de um tempo é que o toque de bola ficou marcado pelo grito de olé pelas torcidas.

Nelson Rodrigues, entediado, novamente colocou a última pedra, e ganhou a partida, levantando-se da mesa.

AN: Essa não deu Evanylson.

João Saldanha ainda deu um puxão de orelha:

JS: Vê se melhora esses teus palpites, hein!

O Evanylson mais uma vez recolheu as suas pedras. E eles se foram …

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.

Leu o debate do dia 05/08? Não? Então clica aqui.

05/08/2010

Mesa Quadrada – 05/08/2010

Evanylson aproximou-se do quiosque e me convidou para uma partida de dominó. Infelizmente, tive que recusar, pois há muito trabalho por fazer.

Mesmo assim ele ali sentou, com as pedras de dominó dispostas sobre a mesa.

De repente começaram a chegar uns parceiros para a partida que Evanylson tanto queria disputar. E não eram quaisquer pessoas. Primeiro sentou Nelson Rodrigues, o dramaturgo e jornalista. Não me pergunte como isso está acontecendo, não sei explicar. Depois veio Armando Nogueira, jornalista e cronista esportivo impecável. E, por fim, a chamado do Armando, sentou o Mané. Isso mesmo, o Sr. Manuel Francisco dos Santos, ou simplesmente, Garrincha.

Eu não conseguia crer como isso é possível, tive que parar tudo o que estava fazendo e fiquei a observar aquela partida de dominó, que acabou se tornando uma “Mesa Quadrada” de discussão sobre futebol:

Armando Nogueira (AN): Que partida ontem em Salvador, não?

Nelson Rodrigues (NR): O meu Fluminense teria metido quatro naquele time do Santos.

Mané Garrincha (MG): Pô Nelson, dá gosto de ver a gurizada jogar. Neymar, Robinho … quase parecem fazer o que eu fazia na minha época.

AN: Ah, Mané. Na tua época eras mágico, malabarista, um verdadeiro artista. Assim como dá gosto de ver aquele menino jogar, o tal do Ganso. Cada toque na bola, a trata realmente com muito carinho. Além do mais, eles tentam te copiar Mané, e “copiar o bom é melhor que inventar o ruim”.

Evanylson (EV): Mas vocês viram que eu acertei o placar da partida?

NR: Pois é Evanylson, estás com a bola toda. Quero ver se o placar de hoje tu ainda acerta! E, Armando, o tal do Ganso joga um bolão, queria ele no meu Fluminense, bem melhor do que trazer o Deco. Até por que “a bola tem um instinto clarividente e infalível que a faz encontrar e acompanhar o verdadeiro craque.” E isso, esse Paulo Henrique, tem de sobra.

AN: O Lyon não estava atrás de alguém para substituir o Juninho Pernanbucano. Chegaram até cogitar o Hernanes, mas o certo seria o Paulo Henrique. Os franceses iriam ver que existe jogador melhor que o Zidane.

MG: E a convocação do Mano?

NR: Faltaram os jogadores do meu tricolor!

AN: Mas, mesmo assim, acredito nela. Tem mais alegria, mais emoção, o que faltou aos jogadores na Copa do Mundo.

NR: Mas o Dunga não estava errado, pois “o futebol não vive de iluminações pessoais. Um time tem que ser, como tal, um conjunto harmônico e potente”.

MG: E por que não, harmônico, potente e artístico?!

EV: Mandou bem, Mané!

(Nelson Rodrigues, um pouco contrariado, puxou seu cigarro e colocou a última pedra, batendo o jogo, e se levantou da mesa)

AN: Essa partida nós ganhamos Nelson. Evanylson, foi bom jogar essa conversa fora e esse dominózinho. Quem sabe outro dia, marcamos outra. Vamos, Mané?

O Evanylson recolheu as pedras, sorridente. E eles se foram …

* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.

** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.

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