O Evanylson andou tendo uns problemas pessoais e desde setembro do ano passado que ele não senta mais no quiosque do Alameda1976 para suas memoráveis partidas de dominó.
Hoje ele me procurou todo preocupado acreditando que as mazelas do Avaí são suas responsabilidade. Pois foi ele parar de jogar dominó que o Leão piorou de vez: ano passado quase caiu; não chegou às finais do campeonato catarinense; foi eliminado em casa na semi final da Copa do Brasil; e neste ano permanece por todo o campeonato brasileiro na zona do rebaixamento.
E como ele não sabe se conseguirá ficar para assistir o jogo de hoje da seleção brasileira contra a seleção argentina me pediu para sentar e abrir a sua caixa de dominó. E claro que o pedido foi prontamente atendido!
Puxou a cadeira da mesa que fica no canto direito do quiosque, mais próximo das árvores e sentou. E ao abrir a caixa de dominó logo apareceram Nelson Rodrigues, Armando Nogueira e Telê Santana.
Nelson Rodrigues (NR): Ué Evanylson, achei que iríamos acompanhar o joguinho de hoje à noite.
(todos riram)
Evanylson (EV): Não sei se vou poder ficar até mais tarde…
NR: Conheces o Telê?
EV: Claro. Foi uma pena não ter trazido o título de 82. Aí sim seria marcado como nosso melhor técnico. Mas não, agora temos que aturar Parreiras, Dungas e Manos …
Armando Nogueira (AN): Andas meio cabisbaixo, meu amigo! É esse teu Avaí que não toma jeito?
EV: Pois é Armando, pois é …
Telê Santana (TS) apenas cumprimentou Evanylson e ficou quieto observando, enquanto as duplas eram formadas e Nelson fez questão de ser parceiro do Evanylson. E foi iniciada a partida, quando então Telê falou:
TS: Sabe Evanylson eu tenho acompanhado recentemente os jogos do Avaí, principalmente depois que o Toninho Cecílio assumiu. Ele foi meu zagueiro sabias?
AN: No Palmeiras de 1990, não é isso?
TS: Isso Armando, minha passagem lá não foi muito boa. Mas conheci essa pessoa aguerrida, determinada e batalhadora que é o Toninho Cecílio. Ele tem potencial para ser um ótimo treinador.
NR: Mas consegue salvar o Avaí? O que tu farias no lugar dele, Telê?
TS: Salvar ou não o Avaí do rebaixamento será uma consequência do campeonato. O que o Toninho precisa é retomar a garra dos jogadores. A vontade deles de vencer. E se ele conseguir fazer isso melhorando a qualidade do time e tornando mais ofensivo conseguirá cair nas graças da torcida. E recuperará o brio do torcedor avaiano que está sofrendo ultimamente.
NR: Tornar o time mais ofensivo? Como assim Telê? Eles precisam é se defender. Possuem a defesa mais vazada do campeonato. Já tomaram 54 gols.
TS: Eis a beleza do futebol Nelson. Se todos esperam que tu se defenda, por que não os surpreende atacando-os. Além do mais o que o Avaí teria a perder hoje? Se fores fazer um levantamento o Avaí tomou 2,07 gols por partida e já foram 26 jogos. Em sete deles tomou mais de dois gols, em 13 tomou dois gols, em dois tomou um gol e em quatro não tomou gol.
NR: Mais uma razão para aperfeiçoar a defesa.
TS: Novamente irei discordar, Nelson. Nas partidas que o Avaí tomou menos de dois gols foram 2 vitórias, 3 empates e uma derrota, tendo somado 09 pontos. E sem considerar as empates ocorridos em partidas que tomou dois gols, as outras três vitórias, das cinco que o Avaí teve ele tomou dois gols e somou nove pontos. Ou seja o problema do Avaí é no ataque.
EV: Como assim?
TS: Simples Evanylson. O Avaí teve cinco vitórias e dessas apenas uma de um a zero, nas demais, o ataque do Avaí fez três gols. Ou seja, quando o Avaí fez três gols ele venceu os jogos, mesmo com a zaga tomando a média de dois gols por partida. E é por isso que eu no lugar do Toninho aperfeiçoaria a artilharia do Avaí.
AN: Interessante. Mas num time que contratou uma infinidade de volantes, como fazê-lo?
TS: Abdicando dos mesmos.
EV: É mesmo, eu li no blog Força Azurra, dias destes um texto de Euripides Ribeiro de Souza que falava do futebol sem os volante. Época boa essa não?
NR: Pode ser, pode ser. Mas como escalarias o Avaí, então Telê?
TS: Pode parecer ousado, mas com os jogadores que compõe o elenco eu escalaria da seguinte forma: faria uma linha de quatro marcadores, que não poderiam passar do meio de campo, exceção às cobranças de escanteio quando dois subiriam e dois atacantes voltariam para evitar contra ataques.
AN: Quem seriam eles?
TS: Diogo Orlando, Gian, Gustavo Bastos e Thiago Sales. Diga-se de passagem não sei por que este garoto não está sendo aproveitado. No meio eu jogaria com Lincoln e o colombiano, o Estrada. E no ataque, Arlan, Rafael Coelho, Willian e Cleverson.
NR: Mas daí ponho três volantes, marco os dois meias e ganhei o meio campo.
TS: Ledo engano, pois Arlan e Cleverson, pela direita e esquerda respectivamente, voltariam para a tabela e jogadas pelas linhas de fundo. Além do que ambos, juntamente com Rafael Coelho e Willian seriam responsáveis por marcar a saída de bola e junto com os dois meias fazer uma “blitz” no campo adversário nos primeiros 20 minutos de cada etapa.
AN: É poderia dar certo. Mas longe da perfeição …
TS: “É impossível atingir a perfeição, mas é possível aproximar-se dela.”
NR: E se o adversário tiver um meia habilidoso?
TS: P… Nelson, tu gosta de me colocar à prova, hein? Daí saca o Arlan e coloca um volante para jogar na frente da zaga. Pode ser o Bruno. E os quatro marcadores tem que ficar lá. Em linha. Apertando o adversário. Uma coisa eu te garanto. Se jogar com garra e determinação, pode até não se salvar, mas conseguirá retomar o apoio maciço da torcida!
AN: E a seleção hoje, Telê, como escalarias?
TS: Considerando os jogadores que o Mano Menezes convocou eu jogaria com: Jeferson; Danilo, Dedé, Emerson e Cortês; Casemiro, Oscar, Lucas e Ronaldinho; Borges e Neymar.
NR: Seria um bom time. Mas longe de uma seleção! E para variar eu bati. Vencemos Evanylson! E que essa vitória seja a primeiras das próximas que virão para o teu Avaí. E que ele se salve assim como o meu tricolor se salvou em 2009 para depois se sagrar campeão em 2010.
EV: Que assim seja!
Eles se despedem e enquanto Evanylson guarda as pedras, os convidados se vão.
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* Este é um debate ficcional, não possui qualquer relação com crenças ou religiões. E homenageia grandes nomes de personalidades brasileiras.
** As frases entre aspas, segundo pesquisa realizada são de autoria dos próprios interlocutores.
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