Posts tagged ‘poesia’

15/04/2012

Frondosa Cachoeira

A frondosa cachoeira

irrigou prados, vales e planaltos.

Não negou a nenhum incauto

os benefícios de seu banhar.

A frondosa cachoeira

não fez discriminação.

Sem distinguir seus apreciadores

a todos ofertou frutificação.

Porém, o homem é um ser estranho

e erigiu uma barragem.

Mas com a cachoeira represada

a deterioração foi iminente.

Então os incautos viraram tacanhos

e seus frutos, nocivos presentes.

(Gilberto Rateke Junior)

29/12/2011

Mensagem de Ano Novo

Para mensagem de Ano Novo vou recorrer ao poema da poeta argentina Cristina de Fercey:

Ano-Novo

Voa, de entre mãos,
Esta vida que nos resta;
Como os anos nos escapam!
Com que pressa eles se vão
E sozinhos, diante do espelho,
Vemos o rosto de sempre,
Mas a alma está mais velha,
Cansada de tanto andar!
É que os dias escorrem
das mãos
Tão velozmente
Que talvez nem o sintamos
E corremos emparelhados;
Sem ver, que assim tão ligeiros,
Se nos vão indo os anos,
Entre apuros e aflições,
Sem podermos desfrutá-los.
Por isso, este Ano-novo
Mudaremos nosso ritmo.
Se as dificuldades nos oprimem,
As deixaremos para trás;
E andaremos pelas ruas
Com um eterno sorriso,
O sorriso da felicidade,
O sorriso da paz.
Brindemos por este ano!
Se foi ruim já vai tarde!
Pelo ano que se inicia
Brindaremos até a embriaguez.
Quem nos tira o que foi vivido?
Por isso, nada de lamentos!
Em frente com a vida!
Pois ela nos escapa…
(Cristina de Fercey, poeta argentina)

05/12/2011

Evento – 2ª Noite Poética Josefense

No próximo dia 10 ocorrerá no Teatro Adolpho Mello, em São José, a 2ª Noite Poética Josefense.

Para quem mora na Grande Florianópolis, e tiver interesse, segue o convite:

13/06/2011

Poesia de Fernando Pessoa

Se estivesse vivo o poeta português Fernando Pessoa completaria hoje 123 anos.

Já li muitas poesias de Pessoa e inclusive já escrevi aqui no blog um texto seu sobre a verdade.

Mas quero compartilhar aqui com vocês uma poesia de Fernando Pessoa que certa vez declamei num sarau organizado pelo curso de Letras da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC:

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
(Fernando Pessoa)

21/12/2010

Ateliê – Juscélia Sousa

A Juscélia retornou ao Ateliê do Alameda 1976 e nos agraciou com um poema sobre futebol:

Será Futebol?

Retraio no cabível senso polido.
Partido remoto da capacidade de desbravar.
Tolerância bravia da estupidez e força.
Ângulo de regras descabidas e brutais.
Enxergo poeira no anil da bandeira.
Incrédulo palmo da minha ignorância.
Jogo e vida
Perder e ganhar o verde troféu
Libertados pelo independente direito de lutar…
Sorte e azar do jogo.
Pó de arroz jogado em três cores,
Faz florir as laranjeiras.
Ano ganho…
Neutro poder de decisão
Embora as traves marquem um limite
É sempre um ponto a considerar
Amplo campo de concentração
Vida, luta e suor
Dupla partida
Camisa minha, cor dourada
Junção de cores, paixão de peso
Coração redondo, pronto para pulsar
Vibração certa
Jogo… futebol…

—-

- Já viu o outro texto da Juscélia publicado aqui no Ateliê? Clique aqui.
- Quer ler mais textos dela? Visite seu blog: PEDACINHOS
- Quer seguí-la no twitter: @jusceliasousa

Então, gostou? Comente aí e participe do Ateliê. Ano que vem retorno a publicar os textos e materiais dos amigos e leitores!

*Os textos publicados no Ateliê Alameda1976 são de responsabilidade de seus autores.

24/11/2010

Pensamentos inquietos

Tem dias que minha mente parece que vai explodir
Pensamentos e ideias se proliferam tanto
Que tenho vontade de fugir
Mas eles e elas me perseguem.

Então sento defronte ao computador
Mas quem diz que consigo organizá-los?
São rebeldes e me causam dor
não querem se expor para ninguém.

É tanta violência, tanto desmando
Como as coisas podem ser diferentes?
Por que fazem isso com o mundo?
Todas as respostas vão muito além …

Distante da simples compreensão
Afinal, nunca saberemos quem está por trás
Do sistema, desta organização
Mas meus pensamentos e ideias vagueiam

E assim vem e se vão
Respostas e hipóteses aos montes
Mas sem rumo, nem proteção
Martelam a todo instante: O que posso, a isso tudo, fazer em relação?

Escrito em 24/11/2010, por Gilberto Rateke Junior.

11/11/2010

Ateliê – Leonardo Fardim Javaris

Leo Fardim visitou o Ateliê Alameda 1976 e nos presenteou com o belo poema abaixo:

Almirante 410 e as Rosas

Há historias que a gente conta
Que ninguém vê ou se da por conta
Que muito amor doeu no olhar

Há certos dias que a gente acorda
Com a cara suja ou se quer torta
Com a esperança de que vai mudar

Há olhares tão distantes
Batendo a porta do horizonte
Pedindo abrigo, pedindo lar

Há pessoas que lhe invadem
Sem por que ser tão selvagens
Tomam-lhe conta e vão ficar

Há seres simples e serenos
Que nos completam com acalentos
Pronto pra poder morar

Em peito grande a casa e rua
Abriga postes, pessoas e a lua
Se quiseres vem, pode ficar

Meu coração é seu, teu lar!

Quer ver mais poesias do Leo Fardim? Visite seu blog: Atelier.

—————

Sobre o autor do poema:

Leonardo Fardim Javaris, o Léo Fardim!
Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, ES, no ano de 1985, e residindo atualmente em Vargem Alta, 30 KM da cidade natal.
Musico por paixão, “poeta” por natureza e aventureiro por instinto, se divide entre a musica, literatura, trabalho, família, amigos e esportes.
É gerente comercial, piloto de parapente, músico e atual aluno de paraquedismo, encontrando tempo, ainda, para poesia, amigos, família e a sagrada cervejinha.
Para seguí-lo no twitter @leofardim

–——–

Então, gostou? Comente aí e faça que nem o Leonardo e participe do Ateliê.

*Os textos/poemas publicados no Ateliê Alameda1976 são de responsabilidade de seus autores.

14/09/2010

A Mente

A mente, civilizadamente mente.
Mente, infelizmente, sabiamente.
Monstruosamente, mente a mente,
mente intuitivamente.

Grandiosamente é a mente,
e felizmente se ela não mente.
Mas, fluentemente, a mente mente.
Mente, indubitavelmente, sorridente.

Mente futilmente a mente.
Mente prazerosamente.
Mente horrivelmente.
Somente mente, a mente.

A mente humana mente,
simplesmente mente.
Mente abusivamente,
mente humanamente, que mente!

Gilberto Rateke Jr

* Poesia do autor deste blog, escrita em 1993 e publicada no livro: Reflexos de Outono. Vol. II, São Paulo: Edições AG, 1999, págs. 28 e 29.

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