Posts tagged ‘vampiro’

02/10/2010

A Verdadeira História de Juan Auschwitz – Último Capítulo?

Não existem motivos para cometer o suicídio, porém ontem eu os tive.

Assim começa esta carta, o detalhe final, que pode esclarecer o final da vida de Juan Auschwitz.

No presente, não mais no passado, nem tampouco no futuro, esta idéia me veio no presente. Acredito que fosse isso. A impossibilidade de viver, saber que a morte baterá em minha porta em pouco tempo, acho que me fez pensar desta maneira.
Numa revista leio a reportagem de um rapaz que cometeu o suicídio porque tinha um ciúme enorme pela sua noiva. Será que esta não poderia ser a saída para minha vida, ou a melhor saída da minha vida.
Não sei! Não creio! Anos de prazer e degustação daquele que nunca crê. O vinho quente das mulheres mais belas me alimentaram por toda a minha vida, curta e vivida, que se transformaram em tempo sem medida, sem espaço temporal.
Após viagens alucinantes, todas as noites deslumbrantes, bailes, festas, sarais, serões, shows, casas noturnas, enfim, sempre tive prazer, mesmo sem nunca crer. Amar sem crer, viver sem crer, viajar, festejar, o prazer existente que eu nunca tive coragem de acreditar, porém obrigado sou a crer no meu fim.
Isto me leva a mais uma reflexão, retornando ao ponto de partida desta manhã: não existem motivos para cometer o suicídio, porém ontem eu os tive. Saída digna para aquele que não crê na vida? Infelizmente, devo crer na morte!
Ao meio-dia fiz um pequeno almoço para ver se conseguia enrolar a minha vontade de possuir uma virgem, não saberia quanto tempo poderia aguentar, comi carne crua de filhote de ovelha, com sangue quente de um pequeno mamífero. Talvez o meu último banquete.
Sou obrigado, falta mais um deleite de minha alma. Cruel dúvida: satisfaço o desejo do destino o quanto antes, definhando-me e envelhecendo em alguns segundos, ou pratico o ato covarde e fugitivo da minha alma que creio eu não terá refúgio diverso do inferno para viver. Nisso acredito. Tenho certeza!
Dúvida definhante e agonizante. Viajei por todo o planeta em todos os séculos, passados e futuros, contudo não compreendo como nunca me deparei com um dilema, sempre realizei meus desejos mais íntimos, supérfluos e insignificantes que fossem. Agora não sei qual meu desejo.
Sei somente que realmente amo, e por esta razão não sei qual decisão tomar, a morte me parece tão certa, e com isto o amor me parece tão longe. O que realmente tenho certeza é que neste momento a morte parece tão banal ao lado de todo este amor.

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17/09/2010

A Verdadeira História de Juan Auschwitz – Capítulo 7

Indignado por aquela situação fiquei totalmente transtornado. Não sabia para onde ir nem mesmo o que fazer, faltavam duas virgens e eu precisava mordê-las. Mas aquele olhar me tirou do papel de um simples consumidor de sangue e prazer. Aquela maravilhosa criatura me demonstrou que eu possuía uma capacidade maior do que simplesmente morder. Eu era capaz de amar.

Interiormente, um desejo enorme crescia dentro de mim, era o desejo de possuir uma virgem. Porém, a imagem daquela linda jovem não saía da minha mente.

O que fazer? Era a pergunta que pairava sobre a minha mente. Se eu mordesse mais uma virgem eu teria que ir em direção de minhas mães para satisfazer-me de um último corpo puro. Será que depois elas me dariam liberdade para amar? E como amaria sendo um vampiro? Perguntas! Maldita hora em que possuímos a capacidade de desenvolver raciocínio. Droga!

Eu não sabia o que fazer. Foi nesse instante que algo dentro de mim me levou até o continente europeu, mais especificamente em Tirgoviste, Romênia. Não entendi o porquê. Inclusive, não percebi o cheiro de virgem alguma. O que faria naquele lugar? Adentrei num castelo.

Parecia não haver ninguém naquele recinto. Penetrei na biblioteca. O ano não sabia qual era. Não tinha a mínima idéia.

Aquela biblioteca era enorme, paredes de pedra com sete metros de altura ostentavam estantes embutidas com bem mais de dez mil livros. Sobre uma mesa, defronte a estante que fica do lado direito de quem entra no ambiente, estavam alguns livros e anotações espalhados. Não sei o que me levou ali, contudo senti-me na obrigação de chegar até a mesa.

Sobre a mesa um enorme livro se destacava: “Bruxas e Vampiros, suas relações”, era de um autor britânico. O livro estava aberto em determinada página que relatava um fato:

“Aquele jovem vampiro que devastou 999 virgens estava lá, pronto para possuir sua última refeição. A refeição que lhe traria o fim, a refeição que faria daquelas nove bruxas as mais poderosas do universo. A terra nunca mais será a mesma nos próximos mil anos”.

Virei a folha e vi uma figura. E assustei-me, pela primeira vez, quando percebi que era o meu rosto desenhado naquelas duas páginas.

Quando consegui me desfazer do susto, deve ter levado um bom tempo, pois senti novamente vontade de possuir uma virgem, resolvi virar novamente a folha para conhecer o final daquela história. Será que eu realmente morreria? Eu não poderia amar? Foi isso o que fui descobrir naquele lugar?

10/09/2010

A Verdadeira História de Juan Auschwitz – Capítulo 6

A última vítima das 998 que eu devia caçar está por ser escolhida. Decidi recuar um século de história e aportar nos bailes cariocas do passado.

Entrei no quarto de minha vítima e senti um aroma no ar de muita paixão, sedução e prazer. Cortinas roxas ornavam as janelas do quarto, a cama era bastante fofa, coberta por almofadas e uma bela colcha, também roxas, na penteadeira vários apetrechos femininos e um conjunto de peças íntimas que exalavam o perfume daquela rosa.

Num papel, sobre a cômoda do lado da cama, influenciado por aquele clima, deixei-lhe um poema:

Sonho!

Sonho!
De mil e uma noites
de tua pele morena
teu cheiro, teus sabores.
Sonho!
De momentos sensuais
o toque suave de tuas mãos
momentos vastos de paixão.
Sonho!
De beijos incandescentes
da volúpia dos corpos
de teus seios desejantes.
Sonho!
Da tua respiração ofegante
dos corpos trabalhando
dos corações palpitantes.
Sonho!
Realidade virtual
desejo inconsciente
vontade consequente.
Realizável por nós!

Segui seu perfume, já que ela não se encontrava em casa. Pela escuridão da noite fui atrás daquela virgem que consegui descrever nossos momentos mesmo antes de acontecê-los.

03/09/2010

A Verdadeira História de Juan Auschwitz – Capítulo 5

Parti para o passeio mais romântico da minha existência. Fui até Veneza. Quando? Não importa! Veneza é, e sempre foi, o grande berço do romantismo.

Com as mais belas mulheres de Veneza naveguei em gôndolas pelos canais suaves e tranqüilos. Sob o luar de Veneza, cujo brilhar reluzia pelo leito, deliciei-me de mais uma bela jovem. Foi numa gôndola no meio do canal com todas as estrelas a brilhar e na presença daquele reluzente luar.

Enquanto aquela jovem bebia uma taça de vinho, eu sonhava e desejava o tinto vinho que corria por aquele corpo.

Quando foi exatamente meia-noite aproximei-me da virgem morena de olhos verdes, que sem lutar me ofereceu seu pescoço, o meu alvo da satisfação. A mordida, profunda e serena, me ofereceu o mais doce banquete: um vinho de sabor extraordinário, de uma virgem tão doce. Ela seria selvagem.

Naquela noite os rios de Veneza foram manchados de sangue, e navegar pela meia-noite passou a ser muito perigoso, pois o medo tomou conta de toda a população. Um vampiro parecia que existia. Realmente, Juan Auschwitz deixou sua marca em Veneza.

No dia seguinte o Expresso Oriente estava saindo de Veneza quando um jovem sedutor entrou no trem: eu!

Aquele trem trazia todo um romantismo no ar. As madeiras bem trabalhadas, as comidas e bebidas das mais requintadas, as pessoas que buscavam paixões, surpresas, e sem saber o terror. Pelo menos naquela viagem que eu participava.

Durante a tarde aproveitei para vislumbrar a paisagem. Uma das mais belas do mundo. Da Itália à França, os Alpes, as montanhas, os rios e os desfiladeiros, tudo tão inesquecível. Até me pareceu que no mundo não existe guerras, pobreza e destruições.

Porém, mais inesquecível, ainda, foi durante a noite, quando naquele jantar a luz de velas pude conhecer a minha mais nova refeição. Afinal, o sangue de uma virgem no Expresso Oriente, é o alimento mais refinado e requintado, senão precioso, do universo.

Aquela jovem estava só, sentada numa mesa do bar, e seus cabelos da cor do sol e ondulados como um mar quase manso, chamavam muita atenção. Os seus olhos da cor do céu cintilavam com a ajuda das velas, e suas mãos, tão finas e delicadas, pareciam brincar com o garfo de prata. Um vestido branco e longo ela usava, demonstrando toda sua elegância.

Quando comecei a me aproximar um homem chegou na mesa e sentou-se. Virei-me e voltei ao bar. Ela ainda não tivera notado a minha presença.

O homem que chegou na mesa era um senhor, que aparentava quase uns cinqüenta anos e estava junto com a mais bela jovem daquele trem. E, principalmente, a única no Expresso Oriente possuidora do cheiro das virgens. Aquele homem tocava suas mãos com tanta intimidade, parecia a envolver de alguma forma. Percebi que não poderia perder tempo.

Pedi à orchestra que tocasse a Valsa do Imperador de Strauss, quando então fui em direção da mesa e pedi o direito de dançar com a mais bela. Ninguém estava dançando, e o homem me ameaçou pelo atrevimento, porém, quando os olhos azuis daquela jovem encontraram os meus ela não teve como negar. Pediu licença para aquele que ela chamou de querido e foi valsar comigo.

Eu de fraque preto e ela de longo branco deslizamos pela vagão, Strauss não sabia que na verdade compora aquela valsa para aquele momento, para a imperatriz do sangue mais fino. Nunca aquela valsa foi tão bem tocada e dançada.

Descobri que era a sua noite de núpcias, ela acabara de se casar em Veneza, pura e virgem, com um lorde inglês trinta anos mais velho, que se casava pela segunda vez. A velha raposa iria perder a ovelha para o gavião, ou melhor, para o morcego.

Não havia amor nos olhos daquela jovem, portanto, entendi que havia de lhe dar o direito de uma noite de paixão.

Disse-lhe para voltar para sua mesa e sentir um mal-estar, pedindo para ir até a sua cabine. Foi o que realmente aconteceu, e o seu esposo, que nunca foi, disse-lhe que ficaria e aproveitaria a noite do Expresso Oriente.

Ali, havia mais interesse do que amor. Os dois não se amavam e eu devia lhe oferecer o desejo da paixão. De início ela até tentou recusar tal loucura, porém, não pôde resistir aos meus pedidos efetuados ao seu ouvido quando estávamos com nossos corpos colados pela valsa do prazer.

20/08/2010

A Verdadeira História de Juan Auschwitz – Capítulo 3

Parti para destruir o mundo, conhecer jovens virgens, estraçalhar-lhes o coração e matá-las de paixão. A minha função era saciar o meu desejo, a minha fome, ou seja, cumprir minha missão.

Fui além do tempo que nasci, cheguei ao ano de 2014. Adentrei em uma casa muito bonita, aparelhos eletrônicos surpreendentes, pessoas assistiam a televisão sem dar conta ao mundo, eu passei por detrás delas, uma senhora, um senhor, um jovem, eles nem sentiram minha presença.

Com aquele frio, do inverno mais rigoroso dos últimos anos, afinal, de ano a ano o inverno vai ficando cada vez pior, a lareira estava acesa naquela casa em Nova York. Lareira!? Era tipo uma televisão com uma imagem de lareira emitindo calor. Ao longe ouvia uma música tocando, um som suave, parecia me chamar. E o cheiro! Havia uma virgem naquela casa, e ela era minha, a minha virgem.

Passei para a outra sala, lindos candelabros, iluminados por energia solar, ornamentavam a mesa de pinho maciço. Quadros, sem descrição alguma, estavam pendurados nas paredes, alguns pareciam ter manchas de sangue, acho que era o meu desejo crescendo.

A medida que eu caminhava o perfume da virgem estava ficando mais forte. Adentrei pela cozinha. A mesa não encostava ao chão, não havia pia para lavar louça e tinha uma máquina estranha que quando me aproximei ela se abriu e me questionou com uma voz robótica que tipo de louça eu iria lavar, mandando apenas dar-lhe as instruções. Dei um passo para trás, quase tropeçando perto da mesa, quando um de seus quatro bancos, que também flutuavam, veio parar em baixo de mim, não me deixando cair.

Sobre a mesa havia uma tela de computador que perguntava se eu gostaria de ver qual jornal e de qual dia. Pedi para ver o NEW YORK TIMES daquele dia, 11 de março de 2014. As reportagens vinham em forma de imagem e som, pouca coisa para ler. Eram reportagens ao vivo, e caso eu quisesse ver matérias já passadas eu deveria dizer o dia e qual a matéria. Quando não havia as reportagens apareciam, então, as propagandas.

Uma matéria me chamou a atenção. Era uma repórter que falava direto de Brasília, no Brasil, dizendo que o presidente brasileiro havia dado um golpe e fugido com o dinheiro da privatização do Estado. Não se sabia do seu paradeiro nem como tinha realizado tal negociata. E, também, que desta vez não haveria mais CPI, porque o Estado já passara a ser de particulares, havia sido comprado pelas Indústrias Kingüisters.

Porém, logo senti o forte odor da virgem que me esperava e voltei a atenção para a minha missão, quando então percebi que aquele perfume vinha do andar de cima. Subi por um elevador automático até o outro andar. O elevador – se é que tinha esse nome – era uma plataforma que flutuava até o outro piso.

Ao passar pelo corredor percebi uma porta entreaberta, olhei e lá estava ela, a virgem que me esperava. Ela era linda, possuidora de lindos cabelos loiros e olhos azuis tão claros como um céu ensolarado. Ela não percebeu minha presença, parecia estar escutando uma música, e eu a ouvia também, mas não com tal motivação como ela. Ela dançava e se debatia. E,não havia aparelho de som nem fone de ouvido.

Conectado a uma parede havia um visor que me revelara o seu nome, Cristal, e a sua data de nascimento, 11 de março de 1996. Aquele dia era o seu aniversário, e eu era o seu presente.

Naquele exato momento ela sentiu minha presença, e a princípio me olhou assustada, depois ficou estática, parada, enfeitiçada pelo meu olhar. Cheguei próximo a ela e suavemente lhe tirei seu vestido, desnudando um corpo tão belo e exuberante. Indescritível. As curvas mais belas do mundo e de todos os tempos. Um corpo que nem o dela ninguém conhecerá, e nem terá, pois ele naquele dia foi meu.

Antes da mordida fatal, fiz questão de beijá-la por completo e por alguns instantes pensei em não saciar o meu desejo, mas sim o dela, porém não era isto que o destino queria.

Puxei-a pelos braços, trouxe o seu corpo junto ao meu e lhe ofereci a mordida fatal. Que sangue saboroso e delicioso! Ela deu um único grito, que não foi de dor, mas sim de prazer, e quando sua família chegou ao quarto não pode fazer nada, Cristal estava morta e nua sobre a cama.

E saí para me preparar para morder mais uma bela jovem virgem.

Continua em 27/08/2010 …

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06/08/2010

A Verdadeira História de Juan Auschwitz – Capítulo 1

Nasci no dia das bruxas, na Ilha da Magia …

Assim começa todos os relatos, vividos por Juan Auschwitz que nasceu numa pequena ilha do Atlântico sob o clima sub-tropical terrestre. Relatos emocionantes, alucinantes, e até mesmo contagiantes, e quem sabe apaixonantes, porém regidos por uma saga diabólica de uma vida totalmente guardiã de mistérios e mortes, onde o sangue das vítimas é o único remédio para a vida que leva a morte, em que a impossível fuga é certa.

Naquela madrugada de primavera, sob a bênção das estrelas, da Mata Atlântica e de nove bruxas, eu nasci. Nasci jovem, aparentando 22 anos, moreno, corpo belo, rosto de traços perfeitos, olhos verdes estonteantes e dentes brancos afiadíssimos.

No ritual mágico da natureza tomei vida, ganhei um lindo traje preto, acompanhado de uma exuberante capa escura, da bruxa-mor, e a minha primeira vítima, uma linda jovem loira, com belos olhos azuis. Ela muito berrava, no entanto, quando me viu ficou alucinada e parou. Deliciei-me como instinto de prazer perante todas as bruxas e degustei das primeiras gotas de sangue da minha vida.

Então, saciado, recebi uma tarefa que para mim não foi nada difícil. Assim me falou a bruxa-mor, uma mulher com belos olhos, porém com uma face tão feia que não possui descrição:

_ Meu filho! Você vai se chamar Juan Auschwitz. Vá, viaje pelo tempo, conheça as nossas marcas deixadas no mundo, observe a miséria, as doenças, as pragas, a corrupção e nos traga mais poder. Deguste o sangue de mais 998 jovens virgens de todo o mundo em qualquer tempo. Você tem o poder de navegar pelo passado, pelo presente e pelo futuro, mas quando for a vez da sua milésima vítima, volte. Pois esta será um presente de suas mães. Aproveite, você existe apenas para aproveitar, sugar o sangue da humanidade, espalhar paixões, pânico, terror e interrogações.

Aquelas palavras muito me alegraram, me deram forças e vontade de mergulhar nesse mundo, em que me bastava saciar, pois eu era o detentor do poder, e nada poderia me deter.

Naquela madrugada, de sexta-feira, sob o forte brilho da lua me lancei ao espaço atrás de minhas vítimas, mergulharia em épocas pouco conhecidas, porém escritas, onde minhas mordidas surtirão efeitos irremediáveis, levando a morte às virgens e, trazendo o prazer até mim.

Antes de partir ainda havia recebido recomendações das outras bruxas:

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