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Tudo pela audiência

É fato conhecido por muitos do episódio ocorrido na final da Copa do Brasil de 2008, quando a TV Globo ao transmitir a partida na Ilha do Retiro, colocou em posições estratégicas seus microfones de áudio de captação ambiente junto aos 2.000 torcedores corintianos. Passou assim a impressão para todo o Brasil de que  os torcedores corintianos em quantidade muito inferior aos torcedores do Sport (uns 34.000) faziam mais “barulho” no transcorrer da partida.

Este fato que não passou desapercebido aparentemente é mais comum do que conseguimos captar. E, evidentemente, serve como forma de garantir a audiência (supostamente a maioria dos telespectadores, especialmente os que o IBOPE usa para mensurar a audiência, estariam ligados na emissora torcendo para o Corinthians) e automaticamente garantia de audiência faz com que os patrocinadores fiquem satisfeitos!

Portanto, não é de se estranhar a razão das preferências da imprensa esportiva brasileira por Flamengo e Corinthians.

No Manual de Telejornalismo dos autores Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima destaco o seguinte pensamento:

A emoção do espetáculo é uma relação direta entre os esportistas e os telespectadores. A intervenção do narrador ou repórter deve ser discreta, sem que haja a manipulação da emoção dos telespectadores com adjetivos e advérbios falsos e inconsistentes, com o objetivo de estimular a audiência e a sustentação dos patrocinadores das transmissões.”

Mas quando não são apenas os adjetivos e os advérbios que são usados para “manipular” a emoção dos telespectadores? E sim a própria informação!?

[… continua na Parte II]

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