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Dicas para um jornalismo esportivo ético e de qualidade

O importante é o crítico dizer por que o jogador não foi bem e explicar o porquê. É injusto falar do jogador como pessoa, dizer que é louco, medíocre.” Pelé

Como observamos nas partes I e II anteriormente apresentadas, a mídia esportiva utiliza da manipulação de informações com intuito claramente de obter audiência. Seja pelo agrado ou pela polêmica.

Contudo, citando Heródoto Barbeiro e Paulo Rodolfo de Lima, deve-se ter em mente que o “exagero é um passo para a desinformação”.

Mas, infelizmente, o que mais vemos nas transmissões esportivas são esses exageros, ditos por narradores, comentaristas e repórteres.

Então, para conhecimento do público telespectador e para lembrar algum jornalista que por ventura visitar o blog, vou transcrever algumas orientações dos autores acima citados, constante do livro Manual de Telejornalismo:

Nada irrita mais o torcedor do que as mesmas e velhas perguntas dos repórteres e respostas dos jogadores depois das partidas. Para fugir disso é preciso conhecimento e criatividade“.

O que você tem a ver com a sexualidade de atletas e dirigentes? Cuide para não invadir a privacidade alheia, principalmente se ela não influi na vida profissional. É preciso cuidado nas entrevistas com familiares, tratá-los respeitosamente, sem pieguismo, com simpatia e sem tietagem. Duvide das notícias sobre a vida pessoal dos ídolos antes de publicá-las.

Não faça especulações. O esporte também é um negócio. Interesses milionários movimentam informações plantadas por dirigentes e representantes de jogadores. Elogios desmesurados a determinados atletas levantam suspeitas de valorização para renovação de contrato ou transferência para outra equipe.

Demonstrar intimidade com ídolos não dá credibilidade nem audiência. É um esnobismo dispensável, que passa uma falsa sensação de convívio entre o jornalista e o atleta.

Jogadores e dirigentes têm garantido sempre o direito ao contraditório.

Os recursos técnicos podem atropelar a equipe esportiva que se antecipar ao julgamento de lances polêmicos. Use e abuse das repetições tira-teimas para entender o que de fato aconteceu na jogada e só depois opine sobre isso.

Os comentaristas devem conhecer as táticas usadas nas partidas. Para justificar uma opinião, é preciso saber do que se está falando.

Os comentaristas esportivos não devem explorar frases como ‘o gol saiu como eu antecipei há pouco’. O telespectador tem espírito crítico, sabe quando o comentarista erra ou acerta.

Os comentários devem se prender aos fatos, e não agradar a essa ou aquela torcida. Há comentaristas que analisam o jogo apenas do ponto de vista do time da casa, do time mais famoso, de maior torcida, esquecendo-se do fato de existirem duas equipes em uma partida, cada uma com sua disposição, tática e peculiaridade que podem explicar determinadas situações dentro de campo.

O comentarista peca quando numa partida eleva o atleta à condição de semideus e na outra passa a desacreditá-lo. Isso faz o telespectador colocar em dúvida e opinião do comentarista.

Não há necessidade do uso de expressões que incitem a violência, do tipo ‘animal’, ‘inimigo’, ‘matador’, ‘guerra’.

E aí? Continuaremos a dar audiência para veículos de comunicação que manipulam informações? Ou passaremos a exigir qualidade?

Fonte: BARBEIRO, Heródoto; LIMA, Paulo Rodolfo de. Manual de Telejornalismo. 2a. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2002.

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