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O poema a seguir é de Constantino Cavafis, com a tradução de José Paulo Paes. Foi publicado aqui no blog em 05/08/2010.

Te convido para releitura deste poema no dia de hoje com o intuito de questionar: O que esperamos em 2012? Afinal, além de tantas situações e circunstâncias este é um ano eleitoral!

À espera dos bárbaros
O que esperamos no agora reunidos?
É que os bárbaros chegam hoje.
Por que tanta apatia no Senado?
Os senadores não legislam mais?
É que os bárbaros chegam hoje.
Que leis hão de fazer os senadores?
Os bárbaros que chegam as farão.
Por que o Imperador se ergueu tão cedo
E de coroa solene se assentou
Em seu trono, à porta magna da cidade?
É que os bárbaros chegam hoje.
O nosso Imperador conta saudar
O chefe deles. Tem pronto para dar-lhes
Um pergaminho no qual estão escritos
Muitos nomes e títulos.
Por que hoje os dois cônsules e os pretores
Usam togas de púrpura bordadas,
E pulseiras com grandes ametistas
E anéis com tais brilhantes e esmeraldas?
Por que hoje empunham bastões tão preciosos,
De ouro e prata finamente cravejados?
É que os bárbaros chegam hoje,
Tais coisas os deslumbram.
Por que não vêm os dignos oradores
Derramar o seu verbo como sempre?
É que os bárbaros chegam hoje.
E aborrecem arengas, eloqüências.
Por que subitamente esta inquietude?
(Que seriedade nas fisionomias!)
Por que tão rápido as ruas se esvaziam
E todos voltam para casa preocupados?
Por que é já noite, os bárbaros não vêm
E gente recém-chegada das fronteiras
Diz que não há mais bárbaros.
Sem bárbaros o que será de nós?
Ah! Eles eram uma solução.”

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