Algumas pessoas respondem a esta pergunta afirmando que nos dias que antecederam a eleição muitos votos que poderiam ser destinados para a candidata do PCdoB acabaram indo para o candidato Elson, do PSOL. Interessante registrar aqui que o candidato do PSOL conquistou mais votos nesta eleição (34.599, 14,42%) do que a própria Ângela Albino e César Souza Jr., na eleição de 2008. Naquela eleição Ângela conseguiu 29.537 votos (11,61%) e César alcançou 12,12%, com 30.834 votos.

Mas, retornando ao tema deste post, outras pessoas dirão que Ângela foi prejudicada com a divulgação do apoio ocorrido para o segundo turno das eleições de 2008, quando ela declarou apoio ao candidato Esperidião Amim. O que as pessoas esqueceram foi que este fato ocorreu muito mais para ser contra Dário Berger do que propriamente ser a favor de Amim. Naquela oportunidade César Souza preferiu viajar a ter que declarar apoio a qualquer dos dois candidatos.

Porém, eu observo que há um outro ponto que é desprezado pelos analistas políticos: a base de sustento da candidatura da Deputada Ângela Albino.

Parto da seguinte premissa se Ângela fosse eleita prefeita de Florianópolis quantos vereadores seriam dos partidos aliados? Apenas 3. Um do PRB, outro do PCdoB e mais um do PT. Ou seja, faltou aos candidatos à Câmara de Vereadores dos partidos coligados uma expressão maior de votação, afinal os 36.340 votos conquistados pelos candidatos a vereador dos partidos aliados (PRB, PR, PRP, PCdoB, PTdoB = 22.896 e PT = 13.444) foram inexpressivos se comparados à votação da candidata Ângela (60.073). O que é curioso é que estes mesmos partidos nas eleições de 2008 (destaca-se que em alianças diversas) alcançaram juntos 44.442 votos para a Câmara. Ou seja, 8.102 votos a mais do que neste ano. E a diferença para o candidato Gean foi de 5.605 votos.

É bem verdade que os votos para vereador não necessariamente são revertidos para o prefeito e vice-versa. Basta ver que a própria Ângela não conseguiu fazer com que quase metade dos seus eleitores votassem nos vereadores do seu partido e dos aliados.

Outro dado curioso é que em 2008 os candidatos do PT à Câmara totalizaram 13.784 votos e neste ano foram 13.444, ou seja, 340 votos a menos.

Mas se formos pensar na segunda hipótese acima, de que a eleição de 2008 interferiu nas eleições deste ano, talvez um outro fator tenha sido preponderante para a não ida de Ângela para o segundo turno deste ano. Em 2008 o PCdoB, partido da candidata estava coligado com o PDT, no primeiro turno. Após a definição dos candidatos que iriam disputar o segundo turno o PCdoB decidiu apoiar o Esperidião Amim e o PDT apoiar Dário Berger. Naquele ano, os vereadores do PCdoB e do PDT conseguiram 18.574 votos. E o PDT na eleição deste ano conquistou 31.606 votos, quase o mesmo número de votos dos candidatos à Câmara de Vereadores que apoiaram Ângela Albino.

Será que se neste ano o PDT estivesse apoiando Ângela Albino ela estaria no segundo turno?

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