A partida de ontem entre Borussia Dortmund e Bayern de Munique assistida por milhares, num estádio de futebol, e por milhões, pela TV, precisa nos trazer muitas lições. Sejam elas positivas ou negativas.

Por isso, impossível não falar de assuntos além do jogo em si.

A abertura do evento ficou esteticamente muito bem feita. O campo de futebol virou um tabuleiro de xadrez, que virou um campo de batalha medieval, com direito a luta de espadas e trocas de flechas. Mas … por que é preciso insistir em comparar o esporte futebol com uma batalha? Qual a razão de atletas precisarem ser chamados de guerreiros? Ah, você acha que eu estou exagerando?

Porém, antes da partida houve um tumulto entre torcedores dos dois times. Ninguém, sequer foi detido, e com exceção de uma pessoa que foi levada ao hospital, todos os demais devem ter entrado tranquilamente no estádio. E lá dentro viram em campo, antes da partida, a reprodução de seus atos, minutos antes praticados no estacionamento do estádio inglês.

Infelizmente, são rotineiros os tumultos entre torcedores, em todo o mundo. Aqui em terras brasileira, não é diferente. E o que é pior: mortes estão ocorrendo e sendo banalizadas.

Então, por mais que estética e plasticamente tenha causado um bom efeito a abertura do evento, como é que o organizador do espetáculo ainda pode cultural e ideologicamente pensar em fazer uma batalha medieval antes de uma partida assistida por, provavelmente, mais de 200 milhões de pessoas em todo o mundo?

Vivemos a cultura da violência e sua banalização. Uma cultura em que impera a ignorância e a intolerância. E o esporte futebol está a perpetuar esta cultura!

Agora, vou pegar um mesmo lance da partida para fazer duas análises:

Lance: Aos 26 minutos do primeiro tempo o atacante Lewandowski, do Borussia, agarrou Ribèry, do Bayern, fazendo falta e este último como revide deu uma cotovelada no seu adversário. O árbitro poderia ter expulsado o atleta do Bayern e amarelado o do Borussia. Poderia, ainda, ter amarelado ambos, ou apenas Ribèry, que acredito que ninguém estranharia tal fato. Porém, apenas conversou com os atletas.

Primeira análise: Em qualquer lugar uma decisão da arbitragem possui suas consequências. Não sei se algum torcedor do Borussia está reclamando da arbitragem. Mas a decisão do italiano Nicola Rizzoli em apenas conversar com os atletas pode ter influenciado diretamente no resultado. Isto por que se Ribèry tivesse sido expulso não teria participado do primeiro gol do Bayern. Ah, mas ele poderia ter levado apenas o amarelo no lance? Sim. Ocorre que aos 27 minutos da segunda etapa o Francês, Ribèry, levou cartão amarelo. Se estivesse recebido um amarelo antes,  teria sido expulso neste momento e, então, não teria dado o passe, no final do jogo, para Robben definir o placar.

Segunda análise: Ocorre, também, que durante o jogo as placas de publicidade, por diversas oportunidades, precisou lembrar para todos nós: “NO RACISM”. E nesta minha observação espero estar totalmente equivocado e “vendo coisas que não existem”. Pois o primeiro cartão amarelo do jogo não foi dado no lance acima anotado. Mas sim, dois minutos depois, para o jogador brasileiro Dante, do Bayern de Munique. Cartão bem aplicado pelo árbitro, já que o zagueiro impediu um ataque do adversário. Contudo, Dante fez uma falta tão falta quanto a do Lewandowski e foi menos agressivo do que Ribèry. Será que o racismo está tão enraizado culturalmente como o fato de se comparar futebol com batalhas?

Conforme afirmei antes, espero estar totalmente equivocado nesta última análise!

Por fim – mas sem esgotar as muitas lições que uma partida desta nos proporciona (espero retomar outras em novas oportunidades) -, é importante destacar o quanto se crucifica os atacantes no futebol brasileiro. Que a cada gol perdido são sumariamente demitidos pelos torcedores.

Ontem o “amarelão” Robben, do Bayern de Munique, foi herói da decisão. Mesmo chutando “apenas” com o pé esquerdo e mesmo sendo atacante de uma única e manjada jogada …

Ah, esse esporte futebol… Como maltrata o seu torcedor!

(publicado, também, no site TodoEsporteSC)

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