Fiz esse questionamento no meu twitter. E obtive algumas respostas. Vejamos:

Todas as afirmações acima estão corretas e inúmeras outras também estariam. Isto por que por mais que a vida hoje não valha nada (basta nos atentarmos ao período de violência e de guerras que vivenciamos), ela possui (ou, ao menos, deveria possuir) um valor inestimável.

Contudo, o ser humano aprendeu (em algum momento da sua evolução) a valorizar muito mais o material do que o humano. E, assim, a vida ficou em segundo plano.

Quero ilustrar esse descaso pela vida com a seguinte imagem:

Av. Ivo Silveira

O que você vê nesta foto?

Carros! Estradas! Semáforo! Placas! Prédios! Postes! Lixeiras! O verde! O céu! Enfim… E o que mais?

Sim há muros. E há um muro de contenção. Aparentemente de concreto! Quero muito estar errado e que este muro não seja de concreto e então não me sirva de exemplo. Mas, tudo indica que ele cai como uma luva para ilustrar o que escrevi até agora.

Esta contenção está ali para proteger o poste e assim proteger a subestação de energia da região. Ou não? Está ali para proteger bens materiais contra um veículo desgovernado. E a vida do condutor do veículo que poderá atingir em cheio este muro de contenção?

E já percebo mentes pensando: “mas se bateu ali é por que estava em alta velocidade e/ou dirigindo embriagado”. Não pretendo, ainda, rebater este teu pensamento (o farei mais adiante). Mas refletir que pode haver falha mecânica que leve um carro a bater contra o muro e ceifar uma ou mais vidas.

Portanto, há valor para uma vida? Não existiriam maneiras de minimizar eventuais riscos com um muro de contenção feito de pneus? (quem sabe assim já o é e eu que vejo concreto naquele lugar).

Mas e quando se considera que a vida de uns vale mais do que a dos outros? E quem decide tais circunstâncias? Destaco alguns casos recentes:

CASO 01: Os franceses e os nigerianos

No início deste ano 12 pessoas foram mortas num ataque ocorrido em ParisTambém no início deste ano milhares de pessoas foram mortas na Nigéria por ataques ocorridos naquele país.

Mas por que nas redes sociais mutiplicou-se maciçamente o #JeSuisCharlie e não o #IAmNigerian?

Sobre este ponto, vale muito a pena a leitura do artigo O abismo entre ‘Charlie’ e Baga, Nigéria, da jornalista Sylvia Debossan Moretzsohn, escrito para o Observatório da Imprensa.

CASO 02: Ebola

E aí, você lembra do Ebola?

No ano que passou, muitas pessoas ficaram desesperadas com a possibilidade de uma grande contaminação mundial pelo vírus Ebola.

Mas você sabia que o primeiro surto do vírus ocorreu em 1976? E que somente se começou a falar sobre uma vacina contra o vírus no ano passado? Ou seja, quando se verificou que o vírus deixaria de se uma ameça apenas no continente africano.

CASO 03: A execução do brasileiro na Indonésia

A própria Nações Unidas condenou as execuções ocorridas na Indonésia. Mas em diversas páginas de comentários sobre os assuntos é possível ler brasileiros e brasileiras pregando a pena de morte como a solução para todos os males da sociedade.

Fico pensando se é sério que os governantes da Indonésia pensam que vão acabar (ou até mesmo minimizar) o tráfico de drogas no país com tal medida. Como se não houvessem mais pessoas dispostas a correr tal risco, quer seja pelo dinheiro ou pelo vício.

Tal circunstância nos leva ao próximo caso. Mas antes quero deixar a seguinte indagação: Na escola (seja ela particular ou pública) em que seu filho(a) estuda você pensa que a droga entra na escola por meio de quem, senão os próprios estudantes!? Quem defende a pena de morte para traficante continuaria a defender para o seu próprio filho(a)?

CASO 04: O surfista Ricardinho e os jovens negros e pobres no Brasil

No Brasil já há pena de morte. E geralmente o executor é quem decide quem é o condenado a tal pena.

Recentemente, numa praia ao sul do Brasil, um policial de férias tirou a vida de um surfista. Com que “autoridade” este policial fez isso? Será aquela defendida por parte da população que afirma que o “policial tem que atirar para matar mesmo”? Ou, ainda, que defende o linchamento das pessoas?

E por que, assim como no caso 01, houve uma total comoção neste caso, mas se ignora solenemente que milhares de jovens, negros e pobres são assassinados / executados anualmente no Brasil?

O objetivo aqui é gerar a reflexão.

E, por mais que você possa acreditar que uma vida possa valer mais do que a outra, precisamos aprender que lutar pela garantia à vida do outro é lutar pela garantia à própria vida.

 

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