Brasil, dia 02 de julho de 2015

Numa quinta-feira (e madrugada de sexta) a página do Jornal Nacional, no Facebook, foi “infestada”de injúrias e comentários raciais proferidos contra a jornalista Maria Júlia Coutinho.

No dia seguinte, multiplicaram-se nas redes sociais a hashtag #SomosTodosMaju!

Florianópolis, dia 25 de maio de 2015

Haitianos e senegaleses chegam na cidade de Florianópolis em busca de oportunidades de trabalho no Estado ou em regiões próximas, e uma melhor qualidade de vida.

Pelos comentários, em reportagens sobre o assunto, é possível verificar uma gama de comentários raciais, diretos e indiretos, contra os imigrantes.

Florianópolis, ano de 2015.

A prefeitura de Florianópolis decide divulgar as obras que está realizando com placas que além de informar os custos e objeto das obras mostram a imagem de uma pessoa. Por exemplo:

Foto Daniel Queiroz / ND. Disponível em http://ndonline.com.br/florianopolis/noticias/135860-ainda-faltam-equipamentos-nas-academias-ao-ar-livre-em-florianopolis.html

Foto: Gilberto Rateke Jr. / Divulgação

O que todas essas fotos tem em comum? Ou melhor, o que elas não tem em comum?

E se levarmos em consideração que na entrada do túnel Antonieta de Barros (sentido Bairro-Centro) há uma placa de divulgação da revitalização do Maciço do Morro da Cruz, com a foto de duas crianças negras (se alguém tiver ou conseguir a foto, favor me encaminhar para eu incluí-la no post), o que isto tudo está nos querendo dizer?

Sabes a resposta?

Eu tenho outra pergunta: O que é branquitude/branqueamento? Tu conheces sobre esse assunto?

Sobre o tema, recomendo a leitura do livro “Psicologia Social do Racismo – Estudos sobre branquitude e branqueamento no Brasil”, organizado por Iray Carone e Maria Aparecida Silva Bento e editado pela Editora Vozes (o estou lendo atualmente).

Aproveito neste post para destacar dois trechos do livro, mais especificamente do artigo de Maria Aparecida Silva Bento:

“… quando se estuda o branqueamento constata-se que foi um processo inventado e mantido pela elite branca brasileira, embora apontado por essa mesma elite como um problema do negro brasileiro. Considerando (ou quiçá inventando) seu grupo como padrão de referência de toda uma espécie, a elite fez uma apropriação simbólica crucial que vem fortalecendo a auto-estima e o autoconceito do grupo branco em detrimento dos demais, e essa apropriação acaba legitimando sua supremacia econômica, política e social”. (pág. 25)

“O primeiro passo da exclusão moral é a desvalorização do outro como pessoa e, no limite, como ser humano. Os excluídos moralmente são considerados sem valor, indignos e, portanto, passíveis de serem prejudicados e explorados. A exclusão moral pode assumir formas severas, como o genocídio; ou mais brandas, como a discriminação”. (pág. 29/30)

Logo, por que a Prefeitura de Florianópolis parece exercitar e promover os esteriótipos de branqueamento/branquitude em seu material de divulgação de obras? Por que razão exclui os negros/as dessas campanhas? E quando são representados é para demarcar o espaço de periferia e com imagens de crianças?

Ou seja, em Florianópolis #SomosTodosMaju?

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