Por Frederico Antônio Kluser Eghel

Socorro acorda todos os dias às 04h da madrugada. Levanta, faz sua higiene e passa um café. Arruma o lanche dos filhos e lhes deixa pronto o almoço. Às cinco horas precisa pegar a primeira de três conduções até chegar no local de seu trabalho, às 07h.

Há trinta anos Socorro trabalha na casa da família do Seu Brasil. Prepara e serve o café, já trazendo o pão fresquinho da padaria. Arruma a casa, lava e estende a roupa. Sempre lembra dos remédios do Seu Brasil. “Ele já esquece algumas coisas. Parece que sofre de um tal de Alzheimer”, ela nos revela.

Antes de preparar o almoço, Socorro leva Seu Brasil para caminhar e pegar um pouco de sol. Ela nos conta que ele costumava caminhar com D. Esperanza, mas ela faleceu faz quase um ano. “E daí a doença dele piorou”, complementa.

Atualmente almoçam juntos. E depois ele assiste o jornal, enquanto ela lava a louça e depois passa roupa. Ela ri quando conta que Seu Brasil fica indignado quando vê os noticiários: “são tudo uma cambada de ladrão, esses políticos corruptos”, ela diz que Seu Brasil esbraveja. “E depois ele vive criticando FHC, que ele disse que xingou os aposentados e não lhe deu nenhum aumento”.

Ela retorna para sua casa lá pelas 17h, quando chega o enfermeiro que passa a noite com Seu Brasil. Antes, porém, deixa pronto o lanche e o jantar.

Perguntamos sobre a família, os filhos, os netos do Seu Brasil. De Brasil Junior ela diz que ficou desapontada. “Ele abandonou os pais quando eles ficaram doentes. Raramente ele procura o pai”. Mas revela certo carinho e esperança ao falar de Brasil Neto: “Sabe, ele vem todas as terças e sextas ver o avô. Está preocupado com ele. É um moço bom!”

Questionada sobre o Brasil atual ela respondeu:

“Apesar de tudo, melhorou sabe. Veja, antes ele só mandava e agora ele também pede!”

Obs.: Este é um relato de ficção livremente inspirado na capa de uma revista semanal. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.

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